25 de Abril, Sempre!


Amanhã é dia de comemorar a data maior da liberdade num país de quase nove séculos de História.

Daqui a uma dúzia de horas começa a noite da primeira madrugada em que a liberdade veio na ponta das espingardas embrulhada em cravos vermelhos, com balas por disparar e sonhos para cumprir. Há 44 anos.

Nunca tantos devemos tanto a um exército que deixou de ser o instrumento da repressão da ditadura, para se transformar no veículo da liberdade conduzido, por jovens capitães.

Foi a mais bela página da nossa História e o dia mais feliz da minha vida. Abriram-se, por magia, as prisões, neutralizou-se a polícia política, acabou a censura e não mais se ouviram os gritos dos torturados nas masmorras da Pide.

Há 44 anos, daqui a poucas horas, ainda os coronéis e os padres censores empunhavam o lápis azul da censura já sem efeito nas palavras e imagens cortadas. O dia 25 de Abril nasceria límpido e promissor com a guerra para acabar e a promiscuidade entre o Estado e a Igreja a ser interrompida.
Os exilados e os degredados viriam juntar-se aos que saíam das prisões. O fascismo era já um cadáver que sobrevivia com a mais dura das repressões. A Pátria não era o país de um povo, era o lúgubre reduto de onde os fascistas oprimiam o próprio povo e as pátrias de outros.

Amanhã é dia de ouvir canções, de sair à rua e de gritar, «fascismo nunca mais!»

O Povo Unido Jamais Será Vencido! Viva o MFA! Viva o 25 de Abril, que aí vem na idade madura dos seus 44 anos.

Para os heróis desse dia, de todos os dias e de sempre, para os que ainda vivem, não há cravos que cheguem para agradecer a vida que cumpriram num só dia.

Obrigado, capitães de Abril! Amanhã, como então, as lágrimas são de alegria incontida, e é forte e comovido o abraço que aqui deixo a todos os que amanhã lembrarei.

Comentários

e-pá! disse…
A geração que, em 1974, estava na pujança da sua vida e, 44 anos depois, está à beira da reforma tem de saber passar o testemunho aos vindouros desse dia libertador e redentor com enorme significado na nossa História recente.
O reconhecimento e a gratidão aos militares de Abril que tiveram a coragem e a valentia para, em 25 de Abril de 1974, por fim a um regime ditatorial, bem como o preito e o respeito aos portugueses e portuguesas que, durante quase meio sáculo, lutaram contra o fascismo e resistiram à ditadura, são actos da mais elementar justiça e de dignidade democrática que este dia tem a particularidade (e a capacidade) de visualizar.

A inexorável marcha história feita - como era previsível, de avanços e recuos - deixa como herança, aos que atualmente têm de assumir a responsabilidade de tornar o nosso País um lugar habitável, seguro, civilizado e justo, engajado simultaneamente no desenvolvimento e no progresso (económico, social e cultural), um pesado encargo.

Não existem conselhos a dar - a nova geração desenhará e comandará os seus destinos com liberdade - mas restará aos que envelheceram, estão cansados e enfraquecidos manifestar a expressão pública do ensejo (e o desejo) de manter viva e verdadeira a memória histórica, porque esta deverá informar o futuro do regime nascido a 25 de Abril.

Pouco mais haverá a proclamar para além do icónico slogan:
"25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS!".

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