Venezuela e os países a sul dos EUA

É preciso andar muito distraído para ignorar as forças que procuram derrubar os regimes progressistas, sufragados em eleições livres, na América do Sul ou Central. É a tradição, que levou um político a desabafar que estavam longe de Deus e perto dos EUA.

O que se passa no Brasil, sem ignorar os altos níveis de corrupção entre políticos, e sem garantias de que não exista entre magistrados, deve merecer uma séria reflexão quanto às perseguições dirigidas a líderes progressistas. Quando se destituiu a presidente da República, sem qualquer acusação de corrupção, e se entregou o poder a um corrupto provado, que a traiu, é preciso refletir e desconfiar.

É inadmissível que os juízes capturem o poder político brasileiro, onde não há provas de que estejam ao abrigo da corrupção que lhes serviu de pretexto para o assalto ao poder político, a glória mediática e a chantagem sobre a democracia.

Sendo perigosa a previsível ditadura dos juízes brasileiros não o é menos a do governo da Venezuela que usa o aparelho de Estado para controlar o poder judicial e reprimir os adversários, ainda que possam ser minoritários. A democracia não é apenas o exercício do poder pelas maiorias, é também, conjuntamente, o respeito pelas minorias.
Não há ditaduras boas ou más, consoante os objetivos que prosseguem. São todas más, e a sua defesa é inaceitável. Há exemplos históricos hediondos, à esquerda e à direita.

Na Venezuela o presidente Nicolás Maduro foi eleito democraticamente, mas, perdida a confiança popular, recorre a truques para manter o poder, prende adversários e reprime. Em cada dia que passa, perde a legitimidade e esgota o regime.

O autoritarismo e a repressão são o caminho aberto de uma ditadura para outra de sinal contrário e potencialmente sangrenta.

Estou certo de que Saramago repetiria agora, em relação à Venezuela, “até aqui cheguei…”.

Eu não cheguei tão longe.

Ponte Europa / Sorumbático

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