Política, religião e Trump

A democracia política é, na minha conceção, a única aceitável, recusando a referendária e outras propostas que se anunciam ou já fracassaram.

No entanto, a eleição democrática não faz os eleitos democratas nem lhes confere poder discricionário. Hitler foi eleito democraticamente e muitos déspotas começaram por ter larga aceitação, para acabarem protegidos por uma guarda pretoriana ou derrubados.

Mesmo os que se comportam como democratas, em países civilizados, não se coíbem de atropelar o direito internacional noutros países. Os quatro delinquentes que invadiram o Iraque foram eleitos democraticamente e jamais manifestaram a mais leve intenção de subverter nos seus países as regras democráticas sob as quais foram eleitos. Bush, Blair, Aznar e Barroso só não são julgados, e presos, por ser maior a força que os protege do que a razão que lhes assiste.
 
O poder económico, diversas formas de tribalismo (nacionalismo incluído) e as crenças organizadas são grandes ameaças à democracia, mas são relevantes a personalidade dos governantes, a sua maior ou menor cultura e a sensatez. Não se exige aos candidatos a sanidade mental de que carecem os eleitores. Na UE, a Hungria e Polónia são casos de preocupação pela deriva fascizante.

Trump, o mais poderoso líder mundial, é um caso de estudo, não por ter sido eleito, mas por ser o que é. Na competição de ameaças insensatas rivaliza com o insano homólogo da Coreia do Norte. O pesadelo nuclear da Humanidade regressa através de ambos.

Na política do Médio Oriente, de onde não veio qualquer atentado terrorista de origem xiita, os seus aliados diletos são árabes e sunitas, sendo xiitas os inimigos de estimação. A democracia não é o objetivo, são os negócios, de tal modo que, é de crer, um regime político à moda da Arábia Saudita faria da Coreia do Norte um aliado preferencial dos EUA.

Trump, pelo poder de que dispõe e pelo senso que lhe falta, é hoje o mais perigoso líder mundial.

Apostila – O Partido Republicano dos EUA está hoje largamente dominado pelo protestantismo evangélico.

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