Maria Luís e a destruição do grupo GES/BES

Fez ontem três anos que o Banco Espírito Santo entrou em processo de liquidação, dois anos depois da aplicação da medida de resolução ao terceiro maior banco português.

Foi uma medida política, na plena legitimidade de um governo que tinha o apoio da AR e a fidelidade do PR. Não terá sido a melhor decisão pois, ao contrário do que afirmou ontem Maria Luís, com arrogante descaramento, não se tratava de dar milhões de euros a Ricardo Salgado, mas de assumir o controlo do BES e do grupo de grande relevo para a economia nacional. Falta julgar a decisão da ministra e do funesto Governo.

Contrariamente à solidez que Cavaco garantiu ao País, do alto da sua alegada sabedoria, o que levou muitos pequenos investidores à ruina, o BES era um banco estratégico para o país, mas falido.

Ricardo Salgado era o banqueiro do bloco central em cuja vivenda se urdiu a candidatura de Cavaco Silva ao primeiro mandato de PR. Cabe aos Tribunais o julgamento de Ricardo Salgado e aos eleitores o da solução ruinosa para o País, cujos custos são elevados, ao contrário do ‘custo zero’ prometido e hoje esquecido.

Maria Luís pediu aos outros ministros para a apoiarem num Conselho de Ministros feito por telemóvel e com a anuência leviana de Assunção Cristas, capaz de pôr um ‘gosto’ a pedido de uma amiga como quem o põe na página do Faceboock de uma pastelaria.

As únicas qualificações conhecidas de Maria Luís eram umas negociações de ‘swaps’ com o Governo, pelo lado dos privados e um mestrado que lhe permitiu dar aulas a um aluno sénior, Passos Coelho. Aliás, a permanência como secretária de Estado, depois de conhecidos os ‘swaps’ deveu-se a PPC, assim como a sua elevação a ministra, depois da demissão de Vítor Gaspar onde declarou o académico confessou o falhanço como governante.

Foi a falta de qualificação para ministra das Finanças que levou Paulo Portas à demissão irrevogável e o inefável notário de PPC a dar-lhe posse para um governo fantasma, sem o CDS.

Essa cena patética foi o primeiro ato da inacreditável tragicomédia onde voltaria a legalidade possível com Paulo Portos vestido de vice-PM e os membros do CDS como se o governo não tivesse caído.

É esta cena macabra que os indefetíveis cavaquistas têm vergonha de recordar.

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