Tancos e a encoberta ‘direita militarista’…

A Direita mais fervorosa e fossilizada reaparece à volta da questão de Tancos e aproveita para atacar tudo e todos a começar pelo 25 de Abril.

O ex-militar Brandão Ferreira - também vou ignorar o posto que abandonou em 1999 para se dedicar às companhias áreas de charters - escreve uma ‘carta aberta a quem ocupa a função de CEMElink onde vem ao de cima tudo o que representa o enfeudamento da Direita militarista que venera os condestáveis (sejam santos ou pecadores) e se encafuou na caserna, dedicando-se à malograda tentativa (pulsão) de ressuscitar um passado ‘epopeico’, reaccionário, colonialista e passadista, pululado de falsos valores e de um indeclinável ‘patrioteirismo’.
 
Brandão Ferreira tem currículo afirmado nesta matéria de ‘insultos’ e ‘difamações’. Todos se devem lembram do soez ataque a Manuel Alegre candidato às presidenciais de 2011 link.
Todas as situações, ocorrências ou dislates (que os há) e que Brandão Ferreira discorda ou não encaixam no seu ideário são automaticamente classificados(as) como ‘traição à Pátria’. 
Este homem parece ter a Pátria no seu bolso e saca-a como se fosse uma pistola à mínima contrariedade. Mas acima de tudo é um serôdio adepto daquelas máximas salazarentas: “… a pátria não se discute!” para chegar mais longe ‘ não se discute a autoridade e o seu prestígio”.
 
A gongórica carta–aberta contem ‘pérolas’ dignas de um museu (de horrores). Desde ver o roubo de Tancos e o apuramento das suas condicionantes como um regresso ao PREC até à insinuação de estar perante alguém ‘sem moral, nem princípios’ bem como a sugestão de que as chefias militares estão envolvidas em conluios partidários e negócios obscuros.
 
 O recuo histórico tende a acantonar-se na ditadura onde reside a matriz do pensamento do autor da ‘carta-aberta’ e só falta invocar a velha expressão fascista de justificar todas as ocorrências como sendo a expressão daqueles que estariam ‘a soldo de inconfessáveis interesses estrangeiros’.
 
Na realidade, a autoridade reinante na ditadura e incensada pelos chefes e sequazes não impediu, por exemplo, o assalto ao quartel de Beja. Só que - neste caso - as chefias militares ficaram de fora da resposta à ‘humilhação’ de então. A investigação e a feroz repressão foi entregue à PIDE e a hierarquia militar aceitou essa intromissão sem manifestar a mínima ‘humilhação’.
 
A situação ocorrida em Tancos começa nos quartéis mas não está confinada, nem se resume, a ser um assunto de caserna. A segurança é um assunto nacional de extrema relevância e diz respeito a todos os cidadãos e caiu na praça pública. Durante quase meio século este alcance e estas características foram reprimidas e agora quando voltam a entrar no domínio público os 'carrascos de então' (ou os seus defensores) voltam à carga.
 
O material roubado em Tancos é uma porção de património nacional adquirido com dinheiros públicos e cuja guarda foi confiada a forças militares. O problema está aqui.
 
Usar as circunstâncias decorrentes de uma grave ocorrência, ainda longe do cabal esclarecimento, para desestabilizar o regime democrático é um aproveitamento vil e oportunista. Resta perguntar utilizando a metodologia de antanho que se encaixa no personagem: ‘a soldo de quem?’.
 
Na verdade, no 'tempo da velha senhora’, invocado amiudadas vezes pelo autor da ‘carta-aberta’ nos seus escritos, a autoridade das chefias não podia ser discutida em público e muito menos livremente.  Mas agora são possíveis todas as atoardas. Inclusive a de um ex-militar que abandonou as fileiras há 18 anos e que agora se arvora, na parada das vaidades, como credenciado conhecedor  do ‘estado anímico’ as Forças Armadas e, a partir daí, passa a especular sobre quem tem confiança em quem.
 
Quando Brandão Ferreira reivindica a liberdade de expressão adquirida com o 25 de Abril (como fez no ‘caso Manuel Alegre’) deveria carregar no mesmo bornal os deveres que a democracia impõe.
 
Sem querer ir mais longe - como a situação em investigação exige - solicitaria ao ex-militar, para começar, o mínimo da decência, isto é, exercício do dever de urbanidade.

Comentários

O fascista referido é um profissional do «correio dos leitores» onde destila veneno contra a democracia em todos os jornais. Às vezes consegue artigos de opinião, sempre com a mesma música.

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