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A mostrar mensagens de 2017

O cardeal e a sexualidade

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O atual bispo de Lisboa, Manuel Clemente, licenciado em História, cardeal por herança do direito adquirido por bula de 1737, que não ficou barata ao reino, parece ter obtido a mitra, o báculo e o anelão, mais por razões pias do que por inteligência ou bom senso.

Não tendo um bispo titular qualquer ascendência sobre outro de diocese diferente, foi na qualidade de presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que o dr. Clemente se pronunciou sobre o sacerdote da diocese do Funchal, que assumiu a paternidade cujo mérito lhe coube.

Diz o cardeal que o padre pode exercer o múnus, desde que renuncie a viver com a mãe da criança, de onde se conclui que o desempenho sexual não elimina o direito ao alvará canónico, apenas a coabitação com a mãe ou o conhecimento público. Como hipocrisia, não foi mera declaração pia, foi a exegese da doutrina católica.

O homem a quem o PR, fiel à fé e alheio à laicidade, beija a mão, afirmou ainda “ser completamente desaconselhável a entrada de jovens h…

Arábia Saudita: o ‘golpe palaciano’, as réplicas regionais e o oculto impacto global…

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A notícia de que o príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman (MbS), está a levar a cabo uma purga no reino das Arábias surge como uma bomba e mostra como profundas dissensões no interior dos vários ramos da ‘família Saud’ podem estar a vir ao de cima com consequências imprevisíveis link. Na realidade, a velha família Saud que, desde tempos ancestrais governava várias regiões na região (Negéde e Hejaz), viria a adquirir uma hegemónica preponderância na península após o fracasso da ‘revolta árabe de 1916-18’, contra o domínio otomano e apoiada pelos Governos britânico e francês. O pretexto foi a ‘tutela’ dos lugares sagrados do islamismo (Meca e Medina). A revolta árabe - contemporânea da I Guerra Mundial – e encabeçado por Husseine (então xarife de Meca) viria a acabar com uma repartição da Península entre a França e a Grã-Bretanha (acordo de Sykes-Picot), traindo promessas anteriormente assumidas com os reinos nómadas. A mudança na configuração territorial surge em consequência …

A bactéria ‘Legionella pneumophyla’ e os vírus

Em Estrasburgo e Bruxelas a bactéria Legionella pneumophyla deixa os eurodeputados sem água quente nos gabinetes, pelo elevado risco de contaminação, devido à vetustez das canalizações. Têm de lavar as mãos em água fria. Não é grave.

Em Portugal, um surto da bactéria, com origem no Hospital de S. Francisco Xavier, já causou a morte de 5 pessoas, o internamento de 7, nos cuidados intensivos, e de 27, em enfermaria, num total, que todos os jornais e TVs atualizaram ontem, de 54 infetados, relativos ao dia anterior.

Enquanto a comunicação social e as redes sociais procuram associar António Costa, e os partidos de cujo apoio depende o seu Governo, ao lamentável surto, a empresa ‘Veolia Portugal’, responsável pelas torres de refrigeração do referido hospital, mobilizou “uma equipa interna de técnicos internacionais com vista a auxiliar no cabal esclarecimento».

É evidente a gravidade da trágica ocorrência, uma só morte é horrível para quem sente a perda do ente querido, mas a exploração me…

LIDO (Visão, 16 novembro 2017 – Pág. 61)

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“Uma pessoa que eu estimo, que é o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, tinha uma coluna no ‘Sol’. E o Professor um dia telefona-me e diz assim: “Olha, o ‘Sol’ está a ir para o fundo, não se aguenta”. Disse-lhe para dizer ao Saraiva que viesse falar comigo”.
(Ricardo Salgado, julho de 2014)

«O ‘Sol’ estava com grandes dificuldades financeiras devido a problemas com acionistas, ali no quadro da guerra com José Sócrates. Era colaborador do jornal e tentei ajudar, falando com várias pessoas ligadas a instituições financeiras»
(Marcelo Rebelo de Sousa à Visão)

A alma, essa desconhecida

A alma é um furúnculo etéreo que infeta o corpo dos crentes. É um vírus que sobrevive à morte do hospedeiro e migra para a morada perpétua que os clérigos lhe destinam.

A alma é um bem mobiliário sujeito a imposto canónico e que, à semelhança das ações de empresas, hoje também desmaterializadas, exige taxa de ‘gestão da carteira celestial’.

No mercado mobiliário as ações são transmissíveis e negociáveis. Representam avos do capital social das empresas. A sua clonagem é criminosa e leva o autor à prisão, exceto quando o Vaticano está envolvido e nega a sua extradição, como sucedeu ao arcebispo Marcinkus, que JP2 protegeu, após a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano.

Quanto à alma, há suspeitas de haver um número ilimitado em armazém, o que exaspera os clérigos, intermediários do negócio, com o planeamento familiar. Não se sabe bem se a alma vai no sémen, está no óvulo ou surge depois da cópula, um ato indecente para tão precioso e imaculado bem.

Os almófilos andam de joelhos e põem…

O que o País deve a Marcelo e o que não pode consentir

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Após a tomada de posse, Marcelo surgiu sem prótese conjugal, irradiando simpatia, em flagrante contraste com o antecessor. Com a cultura, inteligência e sensibilidade que minguavam a Cavaco, tornou-se um caso raro de popularidade.

O respeito pela Constituição da República, elementar no constitucionalista, levaram-no a aceitar o Governo legitimamente formado na AR e a que Cavaco dera posse com uma postura indigna de quem, sem passado democrático, é devedor à democracia dos lugares cimeiros que ocupou.

Marcelo, em vez de ameaçar o País e denunciar à Europa os perigos imaginários que um ressentido reacionário lobrigou no entendimento democrático dos partidos de esquerda, ajudou ao desanuviamento do ambiente político e à higienização do cargo para que fora eleito. Fez o que devia, e teve a decência de romper com a herança de dez anos.

Esgotado o mérito que lhe será sempre creditado, entrou num frenesim próprio de quem é hipercinético, por temperamento, e ansioso de mediatismo, por idioss…

Tal como nos submarinos…

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O arquivamento e prescrição de crimes parecem sofrer de uma inclinação partidária que, sendo certamente aparente, deixa os portugueses perplexos.

Podem ser coincidências, mas o silêncio que se abateu sobre a investigação da Visão a Câmaras do grande Porto, onde altos dignitários do PSD estavam comprometidos, ou à gestão danosa de bancos, que enlamearam políticos do bloco central, especialmente da direita, é suspeito. Raramente se fala dos bancos GES/BES, Banif, BPN, BPP e BCP. Há um sentimento de desconfiança perante a impunidade que levará ao ressentimento.

Enquanto o ministro da Saúde pede desculpa por mortes causadas por uma bactéria que mata, o cardeal renuncia às rezas contra a seca e o PR acha em Lisboa os sem-abrigo que no tempo do antecessor seriam hospedados em hotéis, a comunicação social silencia o que pode lesar os interesses dos seus donos e reincide nas imagens dos incêndios.

O arquivamento do processo contra Dias Loureiro, por falta de provas, quando o prazo se esgotou…

Madrinha acompanha o Padrinho.

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A História e outras histórias

Há a História escrita por historiadores e a história contada pelos redatores dos manuais escolares. A primeira é uma ciência e baseia-se em documentos, a segunda é o veículo de propaganda de quem detém o poder. Raramente coincidem.

Nos 4 anos da instrução primária aprendi na catequese a odiar judeus, hereges, maçons, apóstatas e comunistas. Na escola juntei aos ódios de estimação, e sem necessidade de rezar contra os destinatários, os moiros e os castelhanos. Aos 10 anos, já fustigado com quatro sacramentos, fiz a comunhão solene, vestido de cruzado.

Na Bouza, ali em frente de Escarigo, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, vi um manual escolar espanhol que desprezava a batalha de Aljubarrota e glorificava, entre outras, a do Toro. Era de uma prima e amiga, da minha idade, a quem chamei a atenção para os erros do livro por onde estudava. Levei-lhe o meu livro da 4.ª classe e disse-me que os livros portugueses só diziam mentiras.

Nessa altura, como ela era espanhola, e eu desconh…

Salazar era mais discreto

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O fascismo nunca existiu...

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O PSD no seu labirinto

A prática política do PSD, agravada pela pulsão antidemocrática de Cavaco e Passos Coelho, fez do partido um adversário das minhas convicções social-democratas e da justiça social.

Perante a geometria partidária, funcionando os partidos mais como clubes de emprego do que como comunidades de reflexão política e preparação de quadros, com sentido de serviço público, a liderança partidária não é um mero assunto interno, muito menos a do PSD, que decerto voltará a ser Governo.

Os candidatos anunciados revelam bem a pobreza de alternativas que o partido é capaz de gerar, após o esvaziamento ideológico e ético por um PR inculto e um PM inapto.

Rui Rio é seguramente íntegro, mas não se vê nele mais do que um dirigente autárquico, quando muito, regional, sem a dimensão que o cargo de PM exige. Seria trágico repetir governos disfuncionais do passado, do PS ou do PSD, nomeadamente o do candidato a líder reincidente do PSD.

Não sendo convincentes as candidaturas anunciadas, só com humor é possív…

Independência da Catalunha – Porque não…

Sei o suficiente da História da Catalunha para compreender o desejo independentista de metade dos catalães, e sei ainda mais da História europeia para temer as alterações das fronteiras e a facilidade com que qualquer demagogo faz vibrar as cordas do bairrismo paroquial que, em maior dimensão territorial, se transforma em nacionalismo.

Sei o que o franquismo fez à Catalunha, que lhe proibiu a língua, assassinou milhares de cidadãos, incluindo três bispos, assassinato silenciado durante décadas, e que não foram canonizados, por terem sido mortos pelos bons, e sei que uma convulsão na Catalunha redundaria num terramoto sangrento das atuais fronteiras das nações europeias.

Sou contra a independência catalã pela mesma razão que fui contra a eslovena e croata, que nunca perdoei a Helmut Kohl e João Paulo II, embora do primeiro até tivesse boa impressão. Os dois países de passado marcadamente fascista fizeram parte da expansão comercial alemã e foram as repúblicas católicas que iniciaram a …

Coincidências

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Num país beato é mais fácil saber quem consta nos 'Papéis do Paraíso' do que nos 'Papéis do Panamá', à guarda do Expresso e da TVI.

O fascismo nunca existiu...

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... mas bastaria o ridículo para o anatematizar.





Revolução de Outubro – 100.º aniversário

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Esta Revolução foi o maior acontecimento mundial do último século. É cómodo não a recordar, mas é injusto e perigoso. Cem anos depois, não pode ser a mera nota de rodapé no compêndio da História, por mais furores que desperte e ressentimentos que acorde.

São grandes as paixões que desperta, mas é preciso ser demasiado ignorante ou sectário para aplaudir as perversões a que deu origem ou excessivamente cego e rancoroso para lhe negar os avanços sociais que lhe devemos.

Sem ela, o capitalismo nunca assumiria o rosto humano que vai perdendo com a falta de um socialismo humanista que lhe sirva de antítese.

E a falta que nos faz uma síntese que seja o novo paradigma!

Apostila – A Revolução de Outubro teve lugar no dia 25 de outubro de 1917 (calendário juliano, correspondente a 7 de novembro (calendário gregoriano), por que nos regemos.

João César das Neves(JCN) – Talibã romano, no DN

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«Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho morrerá» (Êxodo 35:2).

João César das Neves, pávido com as labaredas do Inferno, esquece a Bíblia e o sábado para divulgar a vontade do seu Deus, decifrada nas mais arcaicas sacristias.

Neste último sábado, 4 de novembro do ano da graça do calendário gregoriano, regressa à homilia contra a IVG, exaltando as ‘Caminhadas pela Vida’, desse dia, equiparando a IVG a “barbaridades extremas: guilhotina jacobina, holocausto nazi, ataque atómico ao Japão, massacres arménio e tutsi, entre tantos outros [sic]”.

O devoto misógino nunca se conformou com o fim da pena de prisão para mulheres que abortam por malformações fetais, violação ou risco de vida. Como poderá resignar-se à liberalização do aborto quem é capaz de ver na ejaculação um genocídio?

Talvez escreva estes textos pios depois da missa das sextas-feiras em que a ‘Comunhão e Libertação’ o expõe a longas …

Humor monárquico

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Os monárquicos podem não ter argumentos, mas não lhes falta humor.

Falta de lembrança

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Os índios acendiam fogueiras mais cedo, embora acertassem menos

O PR e a transparência

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O atual inquilino de Belém não precisava da comparação com o antecessor, o que, aliás, seria descabido, para ser considerado um cidadão probo em relação ao uso de dinheiros públicos ou à prática de negócios privados que desmerecessem o exercício do cargo, incluindo os gastos com o órgão de soberania cuja vigilância lhe cabe. É um cidadão honrado. Ponto.

Assim pudéssemos louvá-lo na defesa da laicidade do Estado ou na sobriedade exigível nas declarações políticas, quando excedem a competência das funções presidenciais, ou no derramamento de afetos ao domicílio!

Como excelente constitucionalista, qualidade que acrescenta a muitas outras, sabe que a CRP não lhe permite alimentar pretensões peronistas, se acaso as tivesse, e que Portugal não as aceitaria, ainda que dispusesse de uma Evita. Nesse aspeto estamos descansados.

Já quanto à utilização da sua alta popularidade para condicionar o voto dos portugueses, goste-se ou não, é a vida. Nada podemos fazer quando nos agrada ou desagrada. …

CATALUNHA: inabilidades políticas, imbróglios judiciários ou o prelúdio de uma ‘solução à europeia’?

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A questão catalã poderá estar a ser objeto de uma ‘solução espanhola’ muito expedita e de fachada 'europeísta'.  Bastará – no entender de Mariano Rajoy e da ‘governadora castelhana para a Catalunha' Soraya de Santamaria - encarcerar todos os que tenham tomado qualquer posição a favor da autodeterminação, secessão ou da independência catalã, chantagear a região com um tentacular garrote financeiro e deslocalizar a Economia provocando uma profunda recessão económica, lançando milhares de catalães na pobreza e no desemprego.
Convocar eleições regionais nestas circunstâncias é muito pouco livre e dificilmente escamoteia a farsa que lhe está subjacente. Quem contestou as condições do referendo de 1 de Outubro não estará agora a fazer pior?
A acusação de rebelião com que se fustiga tudo quanto se manifeste pela autodeterminação catalã e pela República (convém não esquecer este pormenor) é manifestamente forçada, já que o processo independentista catalão tem decorrido pacifica…

Entre o humor e a tragédia

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Salva-se a coerência do catalão enquanto o PP espanhol, em vez do diálogo, procura a vingança.

Coimbra - Vida cultural

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Notas Soltas – outubro/2017

Eleições autárquicas – A derrota do PSD atingiu proporções tais que feriu o orgulho de quem não previu que o apoio de Cavaco a Passos Coelho, na Universidade de Verão, ia prejudicar o partido, exibindo a cumplicidade de dois políticos desacreditados.
Catalunha – A resposta musculada de Madrid a um problema político, transformou um referendo ilegal, de resultados nulos e incertos, num problema que ameaça a unidade de Espanha, com a UE enredada na má-fé, que aceita a secessão do Kosovo, na Sérvia.
EUA – A utilização de uma rede social para fazer ameaças à Coreia do Norte, coloca o presidente do mais poderoso país ao nível do descendente da dinastia comunista, com o mundo assustado e indeciso sobre quem é o menos fiável.
Ordem da Liberdade – A atribuição a Cavaco Silva foi injusta, mas era a um ex-PR. A recaída do PR Marcelo, na atribuição a António Barreto, que nunca lutou pela liberdade, foi uma ofensa aos que derrubaram ou combateram a ditadura, e às suas vítimas.
Assunção Cristas – A vot…

Jaime Marta Soares, de faca na liga? …

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Os bombeiros – com especial relevância para os voluntários - são um exemplo de altruísmo e de entrega à causa pública que nunca é demais reconhecer. Alguns nós – muitos – temos uma divida de gratidão em relação a esta abnegação e todos podemos, no futuro, vir a estar. Os dirigentes das corporações de bombeiros não têm necessariamente de cavalgar esta onda de reconhecimento ou pior, de reorientá-la para outros fins (sejam corporativos ou políticos) A capitalização deste elevado contributo cívico prestado pelos bombeiros não é automática, nem uma questão de gratidão cega.
Muitos dirigentes destas associações humanitárias passam ao lado das tarefas acometidas aos bombeiros e aparecem na praça pública como arautos de protagonismos de secretaria, de gabinete ou veículos de interesses meramente corporativos. O relatório sobre os incidentes de Pedrogão Grande, decidido por maioria dos representantes na AR, não pode ser espezinhado e tratado como um documento inútil, ou apócrifo, só porque n…

Religião e terrorismo

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De forma metódica e recorrente, lobos solitários, envenenados por um manual terrorista que alegadamente o Arcanjo Gabriel ditou a um beduíno analfabeto e amoral, espalham a dor e o luto nos países civilizados.

Na cosmopolita cidade de Nova Iorque, perto do memorial do World Trade Center, um fascista islâmico conduziu uma carrinha contra quem andava numa ciclovia movimentada de Manhattan, assassinando oito pessoas e ferindo 11.

Nova Iorque tem tudo o que um fanático religioso detesta, embrutecido por um livro da Idade do Bronze. É uma cidade imensa onde a diversidade de costumes e culturas são o seu apanágio, o santuário das artes, da música e da tolerância que os beatos odeiam, um expoente da civilização que nos distingue da barbárie.

O terrorismo é hoje uma das maiores ameaças à civilização, a espada suspensa sobre as nossas liberdades e o húmus onde cresce a xenofobia e o ódio que alimenta os partidos de extrema-direita. É isso que esses trogloditas pretendem, no seu proselitismo i…

No rescaldo das eleições autárquicas

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Com César numa das mamas e noutra a Santidade.

500.º aniversário das Teses de Lutero – 31 de outubro de 2017

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Há quinhentos anos, Martinho Lutero enviou as famosas 95 Teses anexadas a uma carta a Alberto de Mainz, Arcebispo de Mainz, tornando-se este monge agostiniano na principal referência da Reforma Protestante.

Ter posto em causa dogmas da Igreja católica e, sobretudo, a autoridade do Papa, foi a heresia que fez mais pelo progresso e pela emancipação do pensamento do que todas as verdades aceites até aí.

É hoje irrelevante que o Paraíso se possa comprar a retalho ou por junto, que os pecados possam ser perdoados em euros ou orações, que o Papa seja infalível ou mero CEO de uma multinacional da fé. Uma heresia é sempre mais fecunda do que qualquer verdade absoluta. E a forma de conquistar o Paraíso, para os que sonham com uma vida para além da única e irrepetível que nos cabe, é mera opção de quem tem fé.

Depois de Lutero, excomungado pelo Papa, que viu prejudicados os seus negócios com as indulgências e fugir-lhe a clientela, agora repartida por outras obediências, a Europa ganhou o hábi…

Ainda os incêndios

Há textos sobre os quais nos faltam bases para uma avaliação exaustiva, mas que merecem ser lidos.

Este artigo é um desses.

Os Índios faziam fogueiras

Cardeal-patriarca de Lisboa propõe oração pela chuva
Manuel Clemente propôs uma oração pela chuva devido à seca que atinge o país. Segundo o IPMA, é esperada chuva para quarta-feira.

Ponte Europa – Cedo ou tarde vai chover. Está prevista chuva para quarta-feira.

Marcelo ou a 'vã glória de mandar'...

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A frase proferida há 2 dias por Marcelo nos Açores onde afirmou que “o Presidente da República é o ‘órgão supremo’ das instâncias políticas nacionais…link” deixa adivinhar, nas entrelinhas, uma conceção de exercício presidencial no mínimo polémica. Não será esse o entendimento generalizado – ou até a prática – acerca do cargo que presentemente é ocupado por Marcelo Rebelo de Sousa.  Estando um pouco em desuso a denominação de ‘Chefe de Estado’, dada a usura que sofreu a designação durante a ditadura, a conceção comum é que o Presidente sendo o mais alto representante da República, é um garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas. A sua cartilha é a Constituição da República Portuguesa. Ponto final. Quando se introduz uma nova conceção e se afirma como sendo um ‘órgão supremo das instâncias políticas’, será difícil esconder o resvalar para protagonismos deslocados, quando não espúrios. Não sendo um constitucionalis…

Espanha e Catalunha

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Na tarde do dia 27 de Outubro de 2017, consumou-se o pior, quer para o Estado Espanhol, quer para a Catalunha.
A declaração unilateral de independência do Parlamento Catalão logo seguida pela aprovação do Senado Espanhol do tão falado artigo 155 da Constituição, que permite ao Governo de Madrid suspender a autonomia e demitir os órgãos regionais eleitos pelos catalães, visa preservar a Espanha – tal como foi delineada no ‘pós-franquismo’ - são os mais perturbadores acontecimentos desta semana.
É imprevisível o evoluir da situação a partir deste momento. Face a uma óbvia e esperada resistência cívica dos catalães a uma intervenção direta de Madrid na Catalunha entramos num terreno desconhecido. O que sabemos é pouco, mas relevante. Presentemente, a Europa está a ser assediada por uma ‘onda de nacionalismos’ que, a manter-se, originará uma redefinição política e territorial. O problema é o modo e em que circunstâncias se fará esta nova 'arrumação' que dificilmente consegue esc…

A propósito da independência da Catalunha

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Jamais dei por adquirido que as minhas posições sejam corretas e erradas as dos outros, mas defendo as próprias, com convicção, até que os argumentos alheios me convençam.

No caso da Catalunha, excluindo os argumentos ideológicos de quem abomina a União Europeia, vendo aí uma forma de a destruir, enquanto eu defendo o federalismo, ainda não encontrei razões para vacilar na desaprovação. Quanto a este ponto, sou o que sou.

Abro um parêntese para dizer que o desejo federalista não me impede a defesa de maior democraticidade dos órgãos da UE e o aprofundamento da integração económica, social e política, e não apenas da comercial e financeira a que o capital a pretende reduzir.

Dito isto, vamos aos argumentos e depoimentos. Começo pelos últimos. A Escócia pode tornar-se independente por referendo. Pois, a Constituição do Reino Unido, ou omissão, permite-o, o que não é o caso da Espanha. O Kosovo conseguiu (embora duvide de que seja independente esse espaço sérvio ao serviço do narcotráfi…

Catalunha – Os dados estão lançados

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Não se percebe o que levou Mariano Rajoy a tentar impedir, pela força, um referendo cujos resultados eram incertos e que seriam sempre irrelevantes, por estarem feridos de ilegalidade. Só a matriz franquista do PP e da monarquia que foi imposta pelo ditador aos espanhóis, permite compreender a decisão, de efeitos tão contraproducentes, a que se juntou um patético discurso do Bourbon de turno.

No entanto, a ilegitimidade da monarquia e a falta de visão do partido do poder, atolado em corrupção, não legitimam a declaração de independência da Catalunha, que gozava de grande autonomia e cuja amplitude podia ser discutida e aumentada.

A Catalunha não reúne condições para invocar o direito à autodeterminação dos povos. Até a língua catalã, proibida durante a ditadura fascista, pôde tornar-se obrigatória com o advento da democracia, e o seu governo dispunha de amplos poderes.

Agora que a independência foi declarada, com o apoio de minorias circunstancialmente unidas, a Catalunha, metida num…

A frase

Xi pode ser muito mais inteligente do que Trump (o que não é difícil), mas isso não é suficiente para garantir um futuro estável e próspero para a China.

(Chris Patten, último governador britânico de Hong Kong, hoje, DN.

Sempre foi assim_2 !...

Na última década foram mortas mais de 400 mulheres, como afirma o relatório de 2016 do Observatório de Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Conhecendo-se os constrangimentos sociais, a vergonha, o medo das vítimas e a sua falta de recursos, estarrece saber que cerca de 78% dos inquéritos de violência doméstica são arquivados por falta de prova, segundo os dados de 2015.

São estas as razões que tornam mais chocante o anacrónico pensamento de dois juízes desembargadores (um homem e uma mulher) que são certamente a ponta do icebergue que o recurso vencido de uma procuradora permitiu que viesse a ser conhecido.

Sempre foi assim !…

O recente Acórdão da Relação do Porto é uma pequena viagem da jurisprudência entre o tribunal de Felgueiras e o da Relação, com inquietante unanimidade, num país onde a norma do Código Penal de 1886, que prescrevia a saída da comarca por seis meses para o homem que matasse a mulher “em flagrante de adultério”, só foi revogada em 1975.

Há quem veja na indignação face à jurássica mentalidade de vários juízes um exagero, quando uma mulher foi injuriada, assediada, metida à força num veículo e agredida com "um pau comprido com a ponta arredondada, onde se encontravam colocados pregos", por dois indivíduos primitivos, o marido e aquele com quem manteve, durante meses, um relacionamento amoroso.

Parece uma viagem de regresso, de ‘maio de 68’ a ‘28 de maio’ (1926), conduzida por beneditinos a caminho do Santo Ofício, certos de que existirá em qualquer época um Torquemada na defesa da moral e dos bons costumes.

Omite-se que a vítima não recorreu do vexame a que foi sujeita, da injus…

Marcelo: discrepâncias, itinerâncias e ‘novas vichyssoises’…

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Marcelo Rebelo de Sousa tem desempenhado o cargo de Presidente da República com alguma inovação e o recurso a malabarismos ‘semi-populistas’ (de acordo com o semipresidencialismo do regime), onde tenta reduzir os problemas políticos e institucionais a questões centradas à volta das afetividades e distribuição de abraços a retalho e a preço de saldo. O contraste desta posição com o ar grotesco e seráfico que Cavaco Silva imprimiu às suas duas presidências tem servido para realçar o mandato do atual Presidente. Marcelo Rebelo de Sousa não é um anjo caído do céu para salvar o País. Tem um percurso de vida que começa cedo – nos tempos marcelistas - com algumas inflexões e múltiplos trambolhões que vão de um compulsivo devorador livresco, a uma carreira universitária expedita e informal que facilmente o guindou à docência, a um fluido compromisso com a ala liberal marcelista (sem incomodar o ‘padrinho’), uma entrada na política pós 25 Abril na direcção de um influente semanário, a uma pér…