O Governo português no funeral de Chipre


O Governo português no funeral de Chipre

O Governo português, formado por um conjunto heterogéneo de indigentes intelectuais de parcas habilitações académicas, politicamente formatados nas escolas das juventudes partidárias e nas suas universidades de verão, com académicos reputados, sem a menor sensibilidade política, teria de produzir uma comissão liquidatária do que resta do País.

Unidos por um ódio patológico a tudo o que cheire a herança do 25 de Abril, a direitos dos trabalhadores e a datas relacionadas com a liberdade, imbuídos de ódio cego a tudo o que cheire a socialismo ou onde o adjetivo social apareça, deitaram fora as promessas eleitorais do mais néscio governante desde a ditadura de Pimenta de Castro, empossado como primeiro-ministro, e apostaram fazer de Portugal um laboratório neoliberal, quiçá como exemplo para os outros países, «custe o que custar».

O PR, culpado da sua chegada ao poder , talvez impelido pelo ódio ao líder do governo anterior , mantém muda cumplicidade, por essa razão ou outra que a razão desconhece.

Com o metódico e clamoroso falhanço de todas as previsões do ministro das Finanças, com o desemprego a atingir a tragédia e a pobreza a vergonha, só faltava saber que o ainda ministro do ainda Governo, ainda aparentemente chefiado por Passos Coelho, assinasse o plano de resgate ao Chipre, com uma cláusula insólita e iníqua.

O plano do resgate de Chipre exigia a aplicação de uma taxa de 6,75% sobre o valor dos depósitos até 100 mil euros (valor garantido pelo Estado, até na eventual falência dos bancos) e de 9,9% em depósitos acima de 100.000 euros. Este roubo que é diferente do dos assaltantes com máscara e armas, só se distingue dos roubos informáticos porque os autores são conhecidos e usam a assinatura em vez do saber informático.

A pulhice feita a Chipre, recusada pelo Parlamento, é a experiência laboratorial para servir de exemplo a outros países. Surpreende que na baixeza feita a um pequeno país, o ministro Gaspar não visse que assinou antecipadamente o castigo que nos reserva.

Nunca tão poucos fizeram tanto mal, em tão pouco tempo, a tanta gente.

Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

menvp disse…
OS 'CAVA-BURACOS'
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-> O supervisionador do BPN (vulgo Vítor Constâncio) assegurava que estava tudo bem... depois foi o que se viu... {nota: o BPN ultrapassou fronteiras... foi um 'golpe' a nível internacional}
-> O FMI defendeu que banca cipriota era sólida (supervisionadores à Constâncio)... depois foi o que se viu...
-> Mais: Islândia... etc.
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-> Tendo em vista um caos financeiro/económico... a superclasse (alta finança - capital global) actua fortemente em dois sectores:
1- 'cava-buracos' nas contas públicas {veja-se, por exemplo, a forma como o Goldman Sachs ocultou a dívida grega};
2- 'cava-buracos' na banca...
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P.S.1.
Existem por aí muitos Esmifra-Contribuintes: os CGTP's e não só... {apresentam propostas/reivindicações de aumentos - e não - propostas de orçamentos... leia-se: querem mais dinheiro não importa vindo de onde...}
Os Esmifra-Contribuintes são uns IDIOTAS ÚTEIS ao serviço da superclasse (alta finança - capital global.
Tal como a superclasse (alta finança - capital global), os Esmifra-Contribuintes não querem que seja retirado poder aos políticos!!!...De facto, os Esmifra-Contribuintes (CGTP´s e outros...) querem obter reivindicações junto dos políticos... e... não querem que a correspondente actuação dos políticos... seja supervisionada pelo contribuinte.
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P.S.2.
Anda por aí muito político cujo trabalhinho é 'cozinhar' as condições que são do interesse da superclasse (alta finança - capital global).
- privatização de bens estratégicos: combustíveis... electricidade... água...
- caos financeiro...
- implosão de identidades autóctones...
- forças militares e militarizadas mercenárias...
resumindo: estão a ser criadas as condições para uma Nova Ordem a seguir ao caos - uma Ordem Mercenária: um Neofeudalismo!
e-pá! disse…
A tentativa de assalto ao Chipre resultou - pura e simplesmente - na exclusão de um país do seio da UE.
Qualquer que seja o desfecho das negociações ainda em curso existe um facto irreversível: o povo cipriota deixou de confiar na UE. E se não sair de imediato e em ruptura desta união, vai começar a tratar disso organizadamente.
Os danos são irremediáveis. O 'desmantelamento' do projecto europeu ficou (aparentemente) a dever-se a um acidente provocado pela avidez e ganância financeira.
Mais, sucumbiu aos 'incómodos' que os problemas da zona euro podem (ou poderiam) causar às próximas eleições federais alemães.
O 'eloquente' do Gaspar, se fosse um político, deveria ter esta noção, quando apoiou a última reslolução do Ecofin. Mas como se trata de um economista (daqueles que se enganam permanentemente) confiou que mais um saque resolvia a questão cipriota.
E o nosso problema é que estes 'fulaninhos' continuam por cá a representar o papel de 'ajustadores' (do País) ou de 'salvadores' (Pátria).
Nem concebem a ideia que o 'caso cipriota' esclarece que tipo de assistência económica e financeira o BCE - sob o comando alemão - está a promover aos países em dificuldades...
E-Pá:

Um excelente post este teu comentário esclarecedor.

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