Tailândia. O golpe militar

A gloriosa excepção portuguesa não é suficiente para desmentir que, quando os militares tomam o poder, é uma ditadura que se avizinha.

A Tailândia vivia em democracia sob os auspícios dos brandos costumes budistas. Existia, é certo, o crime de lesa-majestade um anacronismo que só costuma desaparecer com o exílio dos reis ou com a domesticação dos monarcas.

O golpe de Estado, patrocinado pelo rei, conduziu o País à ditadura militar. A revolução costuma vir depois. Às vezes, acompanhada de regicídio.

Comentários

Muito giro este blog! Adorei!
Anónimo disse…
PORTO, 206.09.26

"Golpe militar na Tailândia

COMENTÁRIO:

Parece que houve um golpe há 15 anos. Não sei no que deu. Agora aconteceu outro depois de o Primeiro Ministro, ter sido alvo de uma forte campanha de contestação nas ruas. É um País de religião budista, um pormenor significativo, que não ajudou nada. Uma contestação na rua pode ser entendida não apenas como a amostragem de um cartão vermelho mas sim como a amostragem de muitas outras coisas mais. Mas é, na minha opinião, uma grande falta de respeito pela estrutura governativa. Pode parecer uma coisa de somenos mas não é. Porque uma vez feito isto faz-se tudo o resto sem problema nenhum. Regicídio inclusive. “Allia jacta es”...

Não estou a dizer que não seja justos. Mas será... não será... isso já pouco interessa. O que interessa corrigir é a miserável conduta do homem.

O mundo está nisto e não reflecte. Governantes e governados andam de costas viradas. O problema é sério mas desanimador. A História está cheia de casos como este e não serviu de nada.... ninguém reflecte e ninguém analisa. Agora, como há dias na Hungria, vamos erguer aquilo que se deitou abaixo... e depois parte-se outra vez e andamos nisto.... É triste.
JS
e-pá! disse…
As primeiras notícias são, de facto, o comum ou o trivial, nestes golpes de Estado.

A Rede Civil para a Reforma Política e Social, formada por mais de dez organizações, condenou o golpe militar.
Informou, ainda, que a junta militar accionou medidas que como refere em comunicado: "acarretou a limitação da liberdade e dos direitos da população".

Na verdade, a junta anunciou as seguintes proibições:
- atividades partidárias,
- encontros políticos com mais de cinco pessoas
e,
- a publicação de críticas ao golpe na internet.
E, rematou que as restrições sobre algumas atividades da imprensa são temporárias.
A junta militar advertiu os órgãos de comunicação social estrangeiros que insultem o rei serão também alvo de medidas repressivas.

Entretanto, o exército fechou cerca de 400 rádios em diversas províncias do País. São estações de rádio comunitárias muito populares nos meios rurais.

Prontamente, a junta militar - que tem o apoio do rei - anunciou que elaborou uma Constituição provisória para o país.
...

Onde é que eu já vi este filme?
Anónimo disse…
Os golpes de estado na Tailândia são uma tradição, que estava meio esquecida.
Sem estes militares, o país ia esquecer esses jogos tradicionais.
Braveman disse…
para não nos chatearmos, pode ler se aprover a minha opinião aqui
http://tasquinha.blogspot.com/2006/09/golpe-de-esatdo-tailndia.html
Anónimo disse…
Os reis só servem de palhaços, como esse da Tailândia.
Agora se são os palhaços que trazem estabilidade, é porque o povo se farta de rir, e habituado que está a tanto circo, já nem liga.
Anónimo disse…
Pois é! É tudo uma grande palhaçada! Essas Bélgicas, Holandas, Canadás, Noruegas, tem todos um grande circo montado para divertir o seu pessoal. Como a Tailândia.

Sérios, sérios são os países da América Latina, que ao invés de divertir o povo para os manter afastados da política (como os acima referidos), promove a educação, responsabilidade e a participação política.

Esses países ainda não aprenderam aqui com os latinos do sul. Temos que lhes ir ensinar a palavra "Democracia".
Anónimo disse…
Assino: Diogo
e-pá! disse…
bravemen:

O papel, dito "estabilizador", da monarquia tem sido sempre empolado e muitas vezes distorcido.
A monarquia só desempenhou um papel estabilizador quando exercida nos tempos do absolutismo e à custa de enormes discriminações, violências, prepotências, etc.
Aquela história luisiana do "l' Etat c'est moi".

Nos tempos das monarquias constitucionais os reis (e fundamentalmente as suas cortes parasitárias, faustosas e traficadoras de influências) arranjaram sempre conflitos com os outros poderes e imiscuiram-se mais directa ou indirectamente nos assuntos do Estado.
É ver o período da monarquia constitucional portuguesa.
Claro que existem excepções - países escandinvos, etc..

O rei da Tailândia não justifica nada nem é exemplo para ninguém.
A sucessiva intromissão nos golpes de Estado poderá conduzi-lo aos mesmos resultados que o ex-rei Constantino da Grécia - o exílio. Com tantos malabarismos algum dia há-de enganar-se.

Na verdade, e no meu íntimo, penso que depois da Revolução Francesa a monarquia é, como regime, uma excrescência.
Para justificar isso dispenso-me de citar os grandes pensadores da iguladade, liberdade e fraternidade.
Anónimo disse…
Permitam-me que dê a minha opinião sobre o que foi dito.

"O papel, dito "estabilizador", da monarquia tem sido sempre empolado e muitas vezes distorcido.
A monarquia só desempenhou um papel estabilizador quando exercida nos tempos do absolutismo e à custa de enormes discriminações, violências, prepotências, etc.
Aquela história luisiana do "l' Etat c'est moi"."

Estamos a falar de duas monarquias diferentes. Uma em que o rei serve de concórdia entre as diversas facções políticas, e permite a coesão e continuidade das mesmas, sem que se intrometa nelas (a parlamentar).
A outra, onde o mandatário das políticas era o próprio rei (a absoluta).
Onde está a distorção?

Dizer que, em monarquia só houve estabilidade (ou esta instituição só permitiu) durante o absolutismo, é não conhecer a realidade actual (nem passada). Precisamente os mais estáveis, são paises monárquicos. E não venham dizer que é tudo grandes coincidências.

"Nos tempos das monarquias constitucionais os reis (e fundamentalmente as suas cortes parasitárias, faustosas e traficadoras de influências) arranjaram sempre conflitos com os outros poderes e imiscuiram-se mais directa ou indirectamente nos assuntos do Estado.
É ver o período da monarquia constitucional portuguesa.
Claro que existem excepções - países escandinvos, etc.."

Está a referir-se a que cortes?
As cortes dos tempos do antigo regime, cujos nobres viviam todos de volta do rei? Ou o parlamento, como era conhecido durante o período constitucional?

Se for a primeira, esta só tem visibilidade durante o absolutismo. Não existe durante o constitucionalismo.
A partir do liberalismo, quem tem dinheiro é que tem o poder (inclusivé o político), e os nobres de sangue, falidos, deixaram de o ter. Os burgueses, sim, passaram a ser a classe mais poderosa social, cultural e economicamente.
Adquiriram lugares políticos, e o rei já quase nada tem a haver com isto, pois foi cada vez tendo menos poder.

Se for a classe política parlamentar do período constituicional, no caso portugês, tem razão. Foram uns desligados da política, do país, preocuparam-se em arranjar a sua vida, e as reformas que fizeram foi "porque a Europa já está ali", e não "porque queremos melhorar o nosso país". Agora, mesmo depois de tanta revolução terceiro mundista, não vejo onde mudámos. A classe política continua exactamente na mesma, com rei ou sem. A única diferença, é que um rei respeita a memória e o passado do país, e transmite valores como descrição, simpatia, educação, simplicidade.
Isto são valores partilhados cá? Eu, por acaso, vejo-os muito no norte da Europa.

"O rei da Tailândia não justifica nada nem é exemplo para ninguém.
A sucessiva intromissão nos golpes de Estado poderá conduzi-lo aos mesmos resultados que o ex-rei Constantino da Grécia - o exílio. Com tantos malabarismos algum dia há-de enganar-se."

Se o rei da Tailândia não apoiasse o golpe, devia ser dos poucos tailandeses a não o fazer, ou não ouviu as notícias? Vai ele, contra aquilo que é um quase consenso (por muito que nos pareça estranho)?
Quanto ao rei Constantino da Grécia, foi por exactamente ter feito o oposto a este da Tailândia, que foi exilado. Não concorda com o golpe militar, tenta um contra-golpe, para voltar à normalidade democrática, e é obrigado a sair do país.

De facto, é-se preso por ter cão, e por não ter, nem vale a pena...

"Na verdade, e no meu íntimo, penso que depois da Revolução Francesa a monarquia é, como regime, uma excrescência.
Para justificar isso dispenso-me de citar os grandes pensadores da iguladade, liberdade e fraternidade."

Apenas um à parte: A Revolução Francesa teve início porque o povo francês queria uma Constituição. Só decidem matar o rei, quando vêm que este tentou desobedecê-la, tentando um regresso ao absolutismo, e quando posteriormente tentou fugir do país.
A república surge só neste intuito, e só reaparece em 1870, quase cem anos depois. Marcou o modelo de Estado que temos actualmente.

Quanto à Igualdade, Liberdade e Fraternidade, se for verificar com neutralidade, verá que os países que mais cumprem esses valores são os monárquicos, mesmo tendo uma família real reinante, que só lá permanece, porque o povo quer.

O mundo dá muitas voltas, e não perceber o que foi dito atrás, é ficar preso a uma imposição tida como a única verdadeiramente democrática e libertadora (a república) que não está a ser olhada e interpretada à luz da época.

Esses valores são cumpridos em muito poucos países, não foram esquecidos, e alegro-me de ver exemplos vivos.

Mesmo os de terceiro mundo, quando comparados com os seus vizinhos, encontram-se quase sempre mais próximos desses valores, do que os republicanos.

Causa? Consequência? Não sei, mas que é um facto, isso é de certeza. E alguma diferença faz, está à vista.

Diogo.

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