Por DARFUR, no SUDÃO. Grito de um leitor


A situação humanitária na região de Darfur é catastrófica e não permite – por parte dos que se regem por princípios de respeito pelos Direitos do Homem – qualquer tipo de hesitação. Trata-se, pura e simplesmente, de um desastre.

A União Africana (UA) enviou para a região cerca de 7000 homens que, objectivamente, não conseguem controlar a situação.São as próprias forças da UA a reconhecê-lo.

Os acordos celebrados entre Omar al-Bashir (partido do Congresso Nacional) e Salva Kiir (Movimento de Libertação do Povo do Sudão) não contemplam a caótica situação do Darfur que, para sermos exactos e rigorosos, é um GENOCÍDIO.

Na minha concepção de vida e na postura de homem livre, causa-me profunda repulsa que o Mundo possa assistir, impassível e tranquilamente, a um genocídio.E que, dia para dia, vá adiando a sua resolução. E continue a dormir descansado...

A iniciativa de enviar forças da ONU é, para além da tentativa de solução de um problema humanitário, uma questão ética – uma questão de honra, de dignidade.

Omar al-Bashir recusa a intervenção da ONU e exibe, perante os organismos internacionais, uma profunda indiferença por esta dramática situação. É, simultaneamente, um fautor e um cúmplice deste genocídio. É, por isso, um caso que deve cair – com urgência – sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional.

A cada minuto deslocam-se compulsivamente pessoas (refugiam-se), a toda a hora morrem (massacram) pessoas, todos os dias são saqueadas aldeias inteiras e, para sermos directos e explícitos, vive-se aí uma situação em que os seres humanos estão à mercê de bandidos.
Qualquer ente humano, se perscrutar a sua consciência, ouvirá um lancinante grito…


SOCORRO!!!!

Basta!

Autor: e-pá, leitor e comentador do «Ponte Europa»

Comentários

Penso que existe solidariedade por parte de muita gente, mas neste caso é preciso mais.
Os senhores da guerra querem manter o poder a qualquer custo e pouco se pode fazer para alterar a situação.
Aqui justifica-se uma intervenção internacional devido aos crimes de genocídio que se vêm praticando. Mas as atenções estão viradas para o Iraque, Libano e Irão.
Os tais países da democracia ocidental estão-se nas tintas para Darfur e para os países sem petróleo.
É caso para perguntar: que fazer?
cãorafeiro disse…
carlos, não concordo com a exposição da foto desta criança famélica.

não concordo que a miséria deste ser humano seja exposta desta maneira.

não se trata de esconder, mas este miúdo tem direito à sua imagem, mesmo estando condenado a morrer de fome.

também eu se estiver um dia numa situação de sofrimento intenso não gostarei que o mundo me veja desta maneira.

não alimentemos a dependênbcia da sociedade do bem-estar por imagens choque.

a reacção a estas imagens é que miséria é uma coisa longínqua, quando não é.
cãorafeiro disse…
mas compreendo a tua intenção e concordo a 100% com o texto.

estou apenas a deixar uma pista para pensarmos.
Anónimo disse…
PORTO, 2006.09.15
Por Darfur...
Como já alguém disse aqui, texto sim foto não. A foto agride mesmo aqueles mais humanistas. Pode ser discutível esta questão da foto sim ou não. Se não, o texto pode passar despercebido, o que é pena, porque estes alertas têem de ser dados. Se sim pode ser considerado demagógico. Do meu ponto de vista pessoal sinto-me impotente para dar o meu contributo por Darfur. E a foto arrasta-me para um mal estar... difícil de suportar.Há aqui um desiduilíbrio entre o meu mal estar e a foto. Para onde nos poderá levar a força da foto?.... Qual o caminho a seguir...
JS
Carlos Esperança disse…
Caros leitores:

JS sintetizou as minhas dúvidas e a divisão interior que me dilacera.

Já perguntei a alguns amigos o que pensavam de Darfur. Fiquei perplexo, poucos estão informados.

Vários sõ universitários respeitados, médicos ilustres e gente de cultura.

Compreendo, pois, a sensibilidade de o «cãorafeiro» mas optei por servir-me do sofrimento de uma criança, que tantas vezes passou na televisão, para dizer a todos que todos somos cúmplices dessa e de outras mortes com o nosso alheamento.

A foto está identificada no link do título do texto.

Nota: A responsabilidade da escolha foi minha. O autor do texto não foi consultado.
cãorafeiro disse…
carlos, apensa quis deixar uma pista para pensarmos.

eu não preciso de ver as fotos das desgraças para saber que elas ocorrem. eu sei que tu também não.

a questão está em como irmos para lá do círculo restrito das pessoas que não precisam de ser sensibilidzadas, de como sensibilizar as outras.

é uma questão muito difícil. digamos que é muito mais fácil falar com a linguagem da guerra do que com a da paz.

mas tem de haver uma maneira.

sem recorrer à exposição da intimidade dos nossos semelhantes que vivem uma situação trágica.

essa exposição desencadeia nas pessoas uma coisa chamada «compassions fadigue»

como evitar isto?

tenho andado a pensar nisso e tenho feito algumas leituras nesse sentido, mas ainda não consegui construir uma estratégia.

mas hei-de chegar lá, uma vez que há uma série de pessoas pelo mundo fora que pensam neste problema.

naturalmente que compreendo a tua opção, e sei que não a fazes de animo leve, parece-me no entanto que a fizeste por falta de alternativa.

há que p+rocurar fazer emergir essa forma alternativa de falar das coisas terríveis que se passam pelo mundo sem, por um lado, branquear a situação, mas , por outro lado, respeitando o sofrimento a que essas pessoas são expostas.

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