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O cardeal e a sexualidade

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O atual bispo de Lisboa, Manuel Clemente, licenciado em História, cardeal por herança do direito adquirido por bula de 1737, que não ficou barata ao reino, parece ter obtido a mitra, o báculo e o anelão, mais por razões pias do que por inteligência ou bom senso.

Não tendo um bispo titular qualquer ascendência sobre outro de diocese diferente, foi na qualidade de presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que o dr. Clemente se pronunciou sobre o sacerdote da diocese do Funchal, que assumiu a paternidade cujo mérito lhe coube.

Diz o cardeal que o padre pode exercer o múnus, desde que renuncie a viver com a mãe da criança, de onde se conclui que o desempenho sexual não elimina o direito ao alvará canónico, apenas a coabitação com a mãe ou o conhecimento público. Como hipocrisia, não foi mera declaração pia, foi a exegese da doutrina católica.

O homem a quem o PR, fiel à fé e alheio à laicidade, beija a mão, afirmou ainda “ser completamente desaconselhável a entrada de jovens h…

Arábia Saudita: o ‘golpe palaciano’, as réplicas regionais e o oculto impacto global…

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A notícia de que o príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman (MbS), está a levar a cabo uma purga no reino das Arábias surge como uma bomba e mostra como profundas dissensões no interior dos vários ramos da ‘família Saud’ podem estar a vir ao de cima com consequências imprevisíveis link. Na realidade, a velha família Saud que, desde tempos ancestrais governava várias regiões na região (Negéde e Hejaz), viria a adquirir uma hegemónica preponderância na península após o fracasso da ‘revolta árabe de 1916-18’, contra o domínio otomano e apoiada pelos Governos britânico e francês. O pretexto foi a ‘tutela’ dos lugares sagrados do islamismo (Meca e Medina). A revolta árabe - contemporânea da I Guerra Mundial – e encabeçado por Husseine (então xarife de Meca) viria a acabar com uma repartição da Península entre a França e a Grã-Bretanha (acordo de Sykes-Picot), traindo promessas anteriormente assumidas com os reinos nómadas. A mudança na configuração territorial surge em consequência …

A bactéria ‘Legionella pneumophyla’ e os vírus

Em Estrasburgo e Bruxelas a bactéria Legionella pneumophyla deixa os eurodeputados sem água quente nos gabinetes, pelo elevado risco de contaminação, devido à vetustez das canalizações. Têm de lavar as mãos em água fria. Não é grave.

Em Portugal, um surto da bactéria, com origem no Hospital de S. Francisco Xavier, já causou a morte de 5 pessoas, o internamento de 7, nos cuidados intensivos, e de 27, em enfermaria, num total, que todos os jornais e TVs atualizaram ontem, de 54 infetados, relativos ao dia anterior.

Enquanto a comunicação social e as redes sociais procuram associar António Costa, e os partidos de cujo apoio depende o seu Governo, ao lamentável surto, a empresa ‘Veolia Portugal’, responsável pelas torres de refrigeração do referido hospital, mobilizou “uma equipa interna de técnicos internacionais com vista a auxiliar no cabal esclarecimento».

É evidente a gravidade da trágica ocorrência, uma só morte é horrível para quem sente a perda do ente querido, mas a exploração me…

LIDO (Visão, 16 novembro 2017 – Pág. 61)

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“Uma pessoa que eu estimo, que é o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, tinha uma coluna no ‘Sol’. E o Professor um dia telefona-me e diz assim: “Olha, o ‘Sol’ está a ir para o fundo, não se aguenta”. Disse-lhe para dizer ao Saraiva que viesse falar comigo”.
(Ricardo Salgado, julho de 2014)

«O ‘Sol’ estava com grandes dificuldades financeiras devido a problemas com acionistas, ali no quadro da guerra com José Sócrates. Era colaborador do jornal e tentei ajudar, falando com várias pessoas ligadas a instituições financeiras»
(Marcelo Rebelo de Sousa à Visão)

A alma, essa desconhecida

A alma é um furúnculo etéreo que infeta o corpo dos crentes. É um vírus que sobrevive à morte do hospedeiro e migra para a morada perpétua que os clérigos lhe destinam.

A alma é um bem mobiliário sujeito a imposto canónico e que, à semelhança das ações de empresas, hoje também desmaterializadas, exige taxa de ‘gestão da carteira celestial’.

No mercado mobiliário as ações são transmissíveis e negociáveis. Representam avos do capital social das empresas. A sua clonagem é criminosa e leva o autor à prisão, exceto quando o Vaticano está envolvido e nega a sua extradição, como sucedeu ao arcebispo Marcinkus, que JP2 protegeu, após a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano.

Quanto à alma, há suspeitas de haver um número ilimitado em armazém, o que exaspera os clérigos, intermediários do negócio, com o planeamento familiar. Não se sabe bem se a alma vai no sémen, está no óvulo ou surge depois da cópula, um ato indecente para tão precioso e imaculado bem.

Os almófilos andam de joelhos e põem…

O que o País deve a Marcelo e o que não pode consentir

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Após a tomada de posse, Marcelo surgiu sem prótese conjugal, irradiando simpatia, em flagrante contraste com o antecessor. Com a cultura, inteligência e sensibilidade que minguavam a Cavaco, tornou-se um caso raro de popularidade.

O respeito pela Constituição da República, elementar no constitucionalista, levaram-no a aceitar o Governo legitimamente formado na AR e a que Cavaco dera posse com uma postura indigna de quem, sem passado democrático, é devedor à democracia dos lugares cimeiros que ocupou.

Marcelo, em vez de ameaçar o País e denunciar à Europa os perigos imaginários que um ressentido reacionário lobrigou no entendimento democrático dos partidos de esquerda, ajudou ao desanuviamento do ambiente político e à higienização do cargo para que fora eleito. Fez o que devia, e teve a decência de romper com a herança de dez anos.

Esgotado o mérito que lhe será sempre creditado, entrou num frenesim próprio de quem é hipercinético, por temperamento, e ansioso de mediatismo, por idioss…

Tal como nos submarinos…

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O arquivamento e prescrição de crimes parecem sofrer de uma inclinação partidária que, sendo certamente aparente, deixa os portugueses perplexos.

Podem ser coincidências, mas o silêncio que se abateu sobre a investigação da Visão a Câmaras do grande Porto, onde altos dignitários do PSD estavam comprometidos, ou à gestão danosa de bancos, que enlamearam políticos do bloco central, especialmente da direita, é suspeito. Raramente se fala dos bancos GES/BES, Banif, BPN, BPP e BCP. Há um sentimento de desconfiança perante a impunidade que levará ao ressentimento.

Enquanto o ministro da Saúde pede desculpa por mortes causadas por uma bactéria que mata, o cardeal renuncia às rezas contra a seca e o PR acha em Lisboa os sem-abrigo que no tempo do antecessor seriam hospedados em hotéis, a comunicação social silencia o que pode lesar os interesses dos seus donos e reincide nas imagens dos incêndios.

O arquivamento do processo contra Dias Loureiro, por falta de provas, quando o prazo se esgotou…