domingo, dezembro 04, 2016

XX Congresso do PCP e as ilusões da Direita..


O último congresso do PCP é mais uma derrota para a Direita. Na suas catilinárias contra o atual Governo, a Direita ressabiada e catastrofista, sempre suspirou que a ‘posição conjunta’ assinada pelo PCP, BE e PEV com o PS para permitir a formação de um governo alternativo capaz do travar o assalto neoliberal, viesse a causar problemas no interior da formação partidária comunista.

A procissão ainda vai no adro mas todos os indícios apontam no sentido de que a militância comunista compreende e apoia a decisão da sua direção que resolveu tudo fazer para não dar mais hipóteses à Direita de Governar.

Repetidamente, foi afirmado no XX Congresso que este Governo, e mais especificamente, os dois Orçamentos aprovados, não são de Esquerda.
O que ficou por dizer e não é menos importante é que os orçamentos aprovados são substancialmente opostos aos que a Direita pretendia.
Não foi dito deste modo mas, quer dentro do Congresso, quer cá fora, toda a gente percebeu.

Aos que têm uma formação ideológica mais consolidada percebem que o PCP, não renegando as suas bases leninistas, as intervenções produzidas no Congresso podem rever-se num famoso livro “Um Passo em Frente, Dois Passos Atrás”.
O livro trata, como todos nos recordamos, da resposta de Lenine a Rosa Luxemburgo sobre um debate surgido na II Internacional sobre a organização da social-democracia.

O XX Congresso do PCP respondeu (acentuando) às ansiedades da Direita, esclareceu a diferenças identitárias e ideológicas entre comunistas e sociais-democratas mas acima de tudo mostrou que um novo tipo de ‘compromisso histórico’ (muito diferente na conceção, circunstâncias e alcance do firmado por Enrico Berlinguer) tem muita mais estabilidade do que as tropeliais da Direita sonhavam e andaram por aí a divulgar aos incautos.
Se existe uma lição a tirar é que o XX congresso do PCP ratificou amplamente a estratégia seguida nas ‘posições conjuntas’ que expulsaram a Direita do poder e, mais significativo, em vez de a contestar, consolidaram a liderança.

Resumindo: Más notícias para a Direita.

Efeito Trump?

A Áustria pode tornar-se hoje o primeiro país europeu a eleger um chefe de Estado da extrema-direita desde a II Guerra Mundial.

Norbert Hofer, 45 anos, derrotado por apenas 30.863 votos (0,6 por cento) na segunda volta das presidenciais, a 22 de maio, será o provável vencedor.

Apostila - Felizmente, enganei-me. Sinto algum alívio. (17H00)

sábado, dezembro 03, 2016

CGD – a listagem que falta...

Não me parece curial voltar à CGD. Acabado este episódio que encerra com a nomeação de uma nova administração é tempo de os políticos deixarem os atuais responsáveis arrumar a casa.
Mas existem situações que incomodam e enfurecem os pacatos cidadãos. Tive muitas dúvidas se deveria voltar a este assunto. Mas viver corroído pela indignação mói e tira sentido à vida.
 
Prejuízos da ordem do 3 mil milhões de euros de crédito mal parado link, são insuportáveis. Quase um vigésimo da ajuda externa que o País foi forçado, pelos mercados financeiros, a solicitar como empréstimo para o tal ‘reajustamento’ (que afinal nem acabou, nem teve uma ‘saída limpa’).
De pouco vale chorar sobre o leite derramado. Todavia, a CGD, enquanto banco público, deve publicitar para todos – Bancos, instituições de crédito, seguradoras, empresas e cidadãos – a listagem dos prevaricadores (sejam singulares ou colectivos) com os valores dos seus compromissos não satisfeitos.
E, eventualmente, esses incumpridores sancionados com medidas similares aos promotores de conto do vigário, isto é, inibição de uso de cheques, de cartões de crédito e débito, etc. um rol que o Banco de Portugal tem em carteira para aplicar ao ‘peixe miúdo’.
 
Este é um processo administrativo, de regulação que não sendo, neste momento, prioritário é indispensável para repor a dignidade e credibilidade dos sistema bancário (e não só da CGD) que não me parece atentatório ao sigilo bancário.
Na realidade os devedores da CGD não contraíram um empréstimo qualquer. Tratou-se de um empréstimo público. Porque razão a existência dessas lista só diz respeito à Segurança Social ou à Autoridade Tributária?
 
Prioritário é recapitalizar a CGD para a manter como um banco público forte. Mas também é (simultaneamente) necessário não deixar que um bando de raposas à solta continue a rondar o galinheiro (reabilitado e reabastecido).

General João Lourenço, o ‘novo’ delfim…


 
A situação em Angola tornou-se subitamente complexa. Ontem, ao ser indigitado um ‘sucessor’ para José Eduardo dos Santos levantam-se um conjunto de questões difíceis de abordar.
O ‘inner cricle’ da presidência de Angola é muito fechado, complexo e jogam-se aí muitas relações de força. Não é fácil a Eduardo dos Santos por termo a uma liderança de 37 anos em que se criaram tantas cumplicidades, dependências e negociatas sem causar atritos e ‘invejas’.
Em África as fidelidades (de toda a ordem) mais do que se cultivarem, compram-se. Os únicos elos fortes são os familiares e os tribais. Esse é um problema acoplado à sucessão já que será difícil descortinar a quantidades de imunidades que o actual presidente deve acumular quando readquirir a condição de cidadão. E bem maior enigma será saber até onde essas imunidades poderão contemplar a sua família e até o ‘inner cricle’.

O indigitado presidente (não é suposto o MPLA alterar a vontade do Presidente), o general João Lourenço, poderá ser sempre considerado uma solução de transição. Até porque a ‘sucessão’ não se processará nas melhores condições, nomeadamente, no campo económico e financeiro.
Trata-se de um militante que foi congelado durante vários anos na prateleira da mesa da Assembleia Nacional, em certa fase da vida dedicou-se à indústria cervejeira e perante as intrigas tecidas à volta de Manuel Vicente foi ganhando espaço e força política.
Pertence ao restrito grupo de generais que esvoaçam à volta de Eduardo dos Santos, sob o olhar vigilante de Kopelipa, com quem manteve um conflito sobre o fornecimento logístico das Forças Armadas Angolanas.

A primeira ideia que ressalta é que não há uma renovação nas cúpulas do regime. Os antigos combatentes, muito especialmente os generais do séquito de José Eduardo dos Santos, (a guarda pretoriana) poderão abandonar a ribalta política mas pretendem conservar-se nos bastidores.
O futuro de Angola não passa por estes equilíbrios instáveis que o desaparecimento físico do actual presidente pode ser o rastilho de uma profunda convulsão político-militar. Não é fácil delinear uma nova geração dirigente, preparada no aspecto económico, financeiro e político, liberta das imensas cascatas de negócios que inundam Luanda.
Em lume brando, ou em incubação, está a evolução política do regime angolano desde Agostinho Neto a Eduardo dos Santos. Se Neto se inseria no movimento anticolonial apoiado pela ex-URSS e que dentro de um paradigma africano se proclamava socialistas, o actual regime é difícil de definir para além do e chavões como ‘cleptocracia’ é um regime controlado por uma clique de políticos e ex-combatentes, de fachada pública social-democrata mas que se dedicam a gerir duas identidades coexistentes: o luxo e o lixo. Enquanto o sistema tolerar.
Na verdade, a bomba-relógio que ameaça  Angola é uma economia débil, extremamente subsidiária do petróleo (cujo preço não controla), assente num país riquíssimo sem qualquer mecanismo transparente e justo de distribuição da riqueza. Tantas contradições dentro do mesmo saco só podem acabar mal.

sexta-feira, dezembro 02, 2016

Passos Coelho e… o anunciado fim!

A afirmação categórica de Santana Lopes de que não será candidato à Câmara de Lisboa link coloca o PSD, liderado por Passos Coelho, entre a espada e a parede.
 
Até aqui Passos agarrou-se às questões europeias e foi deixando o tempo correr sonhando com a ‘natural’ implosão das ‘posições conjuntas’, assumidas por toda a Esquerda, e que um dia, ou outro, apareceria o ‘diabo’ que o recolocaria na ‘crista da onda’ da política interna.
 
O ‘diabo’ tem sido um ente para além de mítico, imaterial, fantasioso e que se apresenta com aspecto muito multifacetado: primeiro, foi a impossibilidade de cumprir o deficit; depois, foi a não convergência entre a Esquerda para elaboração e aprovação dos Orçamentos de Estado; passando de seguida, por um modelo macroeconómico incapaz de provocar crescimento (um mito que começa a ‘esboroar-se’) pela desvalorização da ‘paz social’ como factor de desenvolvimento; e, finalmente, o tal mafarrico parece inclinado a virar-se para o problema da dívida a reboque de uma situação internacional instável, subsidiária de ‘onda populista’ tendo o seu epicentro nos EUA.
 
No presente, o PSD aposta na detioração do rating da República que nos afastasse do financiamento externo. Nesse sentido, tudo fez para perturbar o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (um dos sues calcanhares de Aquiles em política europeia) o que em parte conseguiu, por inépcia governamental.
Tendo chegado ao fim do desastrado epílogo do 1º. acto da recapitalização da CGD, no sentido da sua manutenção como um banco exclusivamente público, o que pode esperar é que, a partir de agora, esse processo seja acelerado já que não é tolerável que a Esquerda repita os mesmo erros e, porque, esse ajuste do sistema financeiro é um dos vectores essenciais para estimular e apoiar o crescimento económico.
 
Finalmente, ontem, o homem que julgava que o tempo iria jogar a seu favor encontra-se confrontado com um imenso vazio na política interna.
A preparação pelo PSD para as eleições municipais está irremediavelmente atrasada e a recusa de Santana Lopes introduz um novo e importante factor de perturbação. É por assim dizer o 'haraquíri político' de Passos Coelho.
Para além da deserção dos ‘cabeças de cartaz’ (evidente sinal da desacreditação da actual liderança) são previsíveis enormes dificuldades – um pouco por todo o lado – já que poucos serão os que disporão a sujeitar-se a candidatar-se sem saber se qual o aparelho partidário que lhe estará por detrás.
Corremos o risco de termos uma ‘chuva de independentes’ (resultantes de desavenças internas) … o que seria mais uma abundante e trágica perversão do sistema político-partidário português.

O 1.º de Dezembro e a identidade nacional

A História é aquilo que os factos documentam, e não vale a pena distorcê-los. Portugal poderia ser a região de um país ibérico cuja capital seria Lisboa, Barcelona ou Madrid. Mas não é.

Filipe II (I de Portugal), era neto de D. Manuel I, o que lhe valeu o reconhecimento de direitos dinásticos nas cortes de Tomar, em 1581. Foi um dos melhores reis de Portugal, como o foi do seu vasto império. Era culto, humanista e falava português, língua em que se correspondia com as suas filhas. Mas a História é o que é.

Em 1640 os Quarenta Conjurados ou Quarenta Aclamadores, por estarem envolvidos 40 brasões, depois do golpe de Estado bem-sucedido, restauraram a independência do reino que entregaram à família de Bragança, menos recomendável do que a filipina. Mas foi o que sucedeu.

Após 1640, a identidade de Portugal forjou-se na Guerra da Restauração entre os reinos de Portugal e Espanha, com exceção da Catalunha, até ao Tratado de Lisboa, em 1668, e a aversão anti-castelhana ficou viva e foi excitada, inclusive pela ditadura fascista.

Sendo a História o que é, o 1.º de Dezembro foi o dia da Restauração da Independência de Portugal, uma data identitária como o 5 de Outubro e o 25 de Abril. Não foi por acaso que uma das primeiras decisões da República Portuguesa, em 1910, foi passá-lo a feriado nacional como medida popular e patriótica.

As escolas de Boliqueime e Massamá, por ignorância ou insensibilidade, desprezaram uma data marcante da identidade de Portugal, mas não podia um governo republicano e democrático, presidido por António Costa, deixar de reparar a ignara ofensa.

quinta-feira, dezembro 01, 2016

La Palisse, Hollande et la Danse…

Monsieur La Palisse, com certeza, não vai apresentar-se a eleições. É, como sabemos, uma figura mítica do século XV, morta, enterrada e alguma vezes citada, cuja existência sobrevive através de textos picarescos de contexto militar.
É-lhe atribuída a celebre frase” se não estivesse vivo, estaria morto!” E como sabemos as eleições são para serem disputadas por cidadãos ‘vivos’.

Monsieur François Hollande também não vai link. Há muitos aspetos sobrepostos. O primeiro está morto fisicamente e o segundo politicamente. Ambos estando na condição de mortos não disputam eleições.
 
Mas existe um outro facto relevante. Com a sua incompetência, a sua incapacidade política e a ausência de firmeza na defesa de um programa socialista Hollande para além da sua morte política provocou o suicídio colectivo da Esquerda Francesa.
Diz o povo: Homem pequenino ou velhaco ou dançarino. Desconhecem-se os dotes de um ‘Hollande danseur’…

Assim vai a laicidade


O convite para a missinha pode não dignificar a Universidade de Coimbra e o seu Magnífico Reitor, mas contribui para a salvação da alma à custa do atropelo à laicidade.

Notas Soltas – novembro/2016

Brasil – Após o golpe constitucional que destituiu Dilma, Temer destrói o estado social herdado de Lula, Marcelo Crivella, bispo da IURD, torna-se prefeito do Rio de Janeiro, e o País fica refém de grupos económicos aliados a Igrejas evangélicas.

FBI – A insólita atitude do diretor, James Comey, de reabrir a investigação aos emails de Hillary Clinton, a poucos dias das eleições, foi a aliança do FBI, Putin e J. Assange (fundador do wikileaks) com Trump, sendo irrelevante o posterior recuo. 

Espanha – A ETA desempenhou um papel importante na luta contra a ditadura, mas foi incapaz de se adaptar à democracia e usar as tréguas para depor as armas. A captura do último líder, em França, é mais um golpe a abreviar o seu sombrio ocaso.

Síria – A destruição do país está consumada sem que o Daesh, com ou sem Estado, seja erradicado. A fuga do seu líder, Abu Bakr al-Baghdadi, de Mossul, foi um insucesso das poderosas forças que o combatem.

Aquecimento global – Os últimos cinco anos foram os mais quentes de que há registo e 2016 ameaça superar todos os anteriores. O acordo de Paris, com dúvidas quanto ao seu cumprimento, é essencial para se continuar a respirar no futuro, tórrido e sufocante.

EUA – Perante o júbilo dos protestantes evangélicos americanos, de Putin e de Marine Le Pen, o mundo verá partir Obama com saudade e prepara-se para digerir a chegada de Donald Trump, o novo Comandante Chefe das Forças Armadas da maior potência.

Bulgária – Aliada dos nazis na guerra de 1939/45, esteve sob o domínio da URSS até à sua implosão. Integra a Nato (2004) e a UE (2007). Rumen Radev, venceu as eleições apoiado pelos ex-comunistas e defende a integração da Crimeia na Rússia.

UE – A vitória populista, xenófoba, racista e misógina, nos EUA, instabiliza a Europa. À crise financeira, imigração e Brexit, junta-se a deriva ditatorial e expansionista turca e a debilidade da defesa militar. As contradições internas ameaçam desintegrá-la.
 
Donald Trump – Durante a campanha eleitoral, muitos se assustaram com o que dizia, sem acreditarem que fosse o que parecia. Agora, estão alarmados porque, de facto, é o que parecia.

Miguel Veiga – Morreu aos 80 anos um dos fundadores do PSD e um antifascista.  Foi incómodo para Cavaco, Barroso e Passos Coelho, e ameaçado de expulsão. Democrata de longa data, foi coerente com o espírito do partido que ajudou a fundar.

Colômbia – O novo acordo de paz firmado entre o Governo colombiano e a guerrilha das FARC, em Havana, é uma nova oportunidade à paz, que o referendo perturbou. A paz é mais difícil do que a guerra, e vale sempre a pena procurá-la.

Turquia – O golpe de Estado falhado parece a armadilha de que o autocrata se serviu para, através de sucessivas purgas, estabelecer um poder despótico, abolir a laicidade e promover o expansionismo turco à custa dos curdos e da Síria, a caminho do califado.

Alemanha – A senhora Merkel, a única grande estadista dos maiores países europeus, anunciou a candidatura a um novo mandato quando a extrema-direita reaparece no seu país e irrompe em apoteose dos dois lados do Atlântico. É sombrio o futuro europeu.

França – François Fillon foi o surpreendente e mais imprevisível vencedor das eleições primárias do centro-direita na corrida ao Eliseu. As sondagens já não são o que eram!

Salazar – Que o sobrinho-neto reclame, em tribunal, o espólio do ditador, não perturba o País, mas os herdeiros ideológicos que insistem na defesa da sua memória infamante, são um perigo ameaçador.

 Hillary Clinton – Obteve mais dois milhões de votos do que o futuro presidente, mas o sistema eleitoral dos EUA deu a vitória a Trump, com sérias suspeitas de ter havido um ciberataque nos estados de Wisconsin, Michigan e Pensilvânia destinado a prejudicá-la.

António Guterres – O futuro S-G da ONU proferiu, na Gulbenkian, um discurso com uma frase aterradora: “Nunca vi barões do tráfico de pessoas serem detidos, mas já vi barões do tráfico de droga serem-no”. O tráfico de pessoas e órgãos existe! E arrepia.

CGD – Após a enorme vitória diplomática para recapitalizar o único banco público, há quem, por radicalismo ideológico, se tenha obstinado a destabilizar o banco do Estado. Ignoram que a desregulação financeira provocou o caos que sufoca o País e o mundo.

XXI Governo Constitucional – Iniciou o segundo ano com a aprovação do OE-2017 e o apoio do BE, PCP e PEV. O PS e os outros partidos de esquerda, que convergiram na solução patriótica, estão de parabéns pela inédita solução arquitetada por António Costa.

François Fillon – A vitória na segunda volta das primárias da direita francesa garantiu praticamente o duelo presidencial entre o candidato mais à direita da direita democrática e a extrema-direita, numa luta política de onde a esquerda ficará pelo caminho.

Turquia – Recep Erdoğan, Irmão Muçulmano considerado democrata pela UE e EUA, depois de destruir a laicidade e os direitos humanos, tornou-se um pesadelo da Europa, um risco para a NATO e o terror dos curdos, com ambições expansionistas.


Afeganistão – Paradigma do fracasso do combate ao terrorismo, à medida que as tropas ocidentais vão retirando, quinze anos depois, os talibãs recuperam as posições perdidas e impõem o regresso à sociedade tribal e patriarcal que o islamismo preconiza.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 30, 2016

Ponte Europa


Já chegou também a Coimbra. Encontra-se nas várias livrarias Almedina, Bertrand e pode ser pedido à https://www.wook.pt/ com desconto e portes pagos.

terça-feira, novembro 29, 2016

A Caixa Geral de Depósitos e a direita

A simpatia que o atual governo merece e, sobretudo, os interesses nacionais, levou-me a manter silêncio perante a campanha orquestrada pela direita, que persiste na política de terra queimada.

Depois da notável vitória, para obter o aval do BCE para a recapitalização da CGD, que a direita dizia impossível, tudo o que podia correr mal, correu ainda pior. À intenção do governo de despartidarizar o banco do Estado, com alteração do seu estatuto, respondeu a direita apontando a exorbitância dos vencimentos, primeiro, e a obrigação de todos os administradores entregarem a sua relação de bens, depois.

O Governo terá prometido o que não lhe deixaram cumprir, e a direita rejubilou, porque sabia que administradores estrangeiros e alguns portugueses não tolerariam a devassa às suas fortunas pela comunicação social, ávida de explorar a ódio luso contra a riqueza.

A direita, que contratou um funcionário público, o diretor-geral de Finanças, a ganhar o triplo da ministra da tutela (23.480 € mensais), e que o conseguiu com o vencimento de ministro para titular da Saúde (Paulo Macedo), tornou-se defensora de um vencimento máximo para a instituição que tem de competir no mercado bancário.

A direita que fez do BPN um caso de polícia, onde se enlamearam nomes sonantes do cavaquismo, já mostrou, do BES ao Banif, que a banca só lhe interessa para colocar os seus ex-governantes e que o pudor não faz parte da matriz dos que agora a dirigem.

Depois de um longo consulado de Faria de Oliveira, cujo escrutínio será evitado, a CGD não pode ficar dependente de gestores incompatíveis com o carácter republicano, laico e democrático, metidos à sorrelfa por uma direita que deseja privatizá-la.

Para os distraídos deixo aqui três nomes: Rumasa, Matesa e Banco Ambrosiano.

segunda-feira, novembro 28, 2016

BRASIL: Impeachment II ?

O impeachment de Dilma foi a caricatura democrática que tentou encobrir um golpe constitucional que acabaria por guindar o vice-presidente Michel Temer ao palácio do Planalto.

Passados poucos meses surge novo pedido de ‘impeachment’ agora solicitado pelo PSOL link. Desta vez trata-se de traficância interna intergovernamental onde vários membros do Governo (incluindo o presidente) se reúnem (variadas vezes) para promover a aprovação um empreendimento imobiliário, ao que suposto ilegal e assim favorecer Geddel Vieira Lima, ministro de Temer. Este teria adquirido um andar no referido prédio que não foi autorizado a construir. link.

O problema é que o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, tutor do Instituto Nacional do Património Histórico que embargou a construção, terá gravado as conversações entre os pares e o próprio presidente e entregou-as à Polícia Federal.

Agora, o que resta para investigar é como o ministro da Cultura cessante teve o desplante de gravar as conversas. O resto está tudo legal. E na maior…

XXI Governo Constitucional

Iniciou-se o segundo ano do primeiro governo do PS com apoio parlamentar do BE, PCP e PEV, a inédita solução que acabou com a chantagem da direita mais reacionária e criou um novo arco da governação, com inclusão dos partidos que a direita considerava impróprios para viabilizarem um governo.

Sem se diluírem no OE-2017, viabilizaram-no, num louvável esforço de convergência patriótica e democrática, permitindo o orçamento possível para honrar os compromissos externos e travar a deriva ultraliberal do anterior Governo para desmantelar o Estado.

O patético desespero de Cavaco Silva a evitar a posse, as ameaças salazarentas e os esforços do PSD/CDS a intrigarem instituições internacionais, foram insuficientes para traírem a CRP e o único órgão com legitimidade para a formação de governos – a AR.

Depois da experiência bem-sucedida, que fatores externos podem comprometer, não há partidos a precisar da unção da direita para serem Governo nem partidos de direita que careçam de atestado democrático passado por partidos de esquerda.

Acabou a chantagem da direita e a alegada superioridade moral da esquerda numa nova arquitetura que a todos obriga na defesa do interesse nacional através dos partidos que o definem.

É legítimo destacar a capacidade política de António Costa, arquiteto da nova geometria partidária, e a diferença abissal do atual PR cuja inteligência, cultura e sentido de Estado o distinguem do antecessor.

Perante a imprevisibilidade internacional, os portugueses sentem alguma tranquilidade por saberem os mais altos cargos do Estado, que refletem a diversidade ideológica dos portugueses, sem radicalismos e ressentimentos que ameaçam vários países europeus.

Momento de poesia


Para Fidel Castro…

As árvores ficaram despidas e nuas
quando a tua voz se calou na sombra da noite
e os astros incandescentes se apagaram
ouviram-se os pássaros pendurados nos alpendres
e um relâmpago riscou o céu
da Serra Maestra até Havana
a iluminar o caminho da glória
da tua marcha heróica e triunfal…

Agora, junto a tua voz à minha memória
e à memória da voz do companheiro Che Guevara,
o outro astro incandescente da nova aurora
o outro herói da gesta revolucionária
que acendeu em nós a chama da liberdade
e que morreu lutando pelo sonho que sonhou…
Hasta siempre, comandante Fidel Castro…

Alexandre de Castro

Lisboa, Novembro de 2016

domingo, novembro 27, 2016

Fidel de Castro (1926 – 2016).


Morreu o ‘comandante’ da revolução cubana. Castro foi um gigantesco e incontornável protagonista histórico que se tornou um dos mais emblemáticos e consequentes desafiadores do poderio yankee no século XX, nomeadamente depois da II Guerra Mundial.
Mas mais do que isso foi um intrépido e valente lutador pela emancipação política, económica e social do povo cubano, lutando - contra todos os 'bloqueios' - pela implantação de um modelo socialista que impressionou o Mundo.

A revolução cubana teve um nome: Fidel de Castro. Mas mais do que um nome teve na imagem do comandante um exemplo ‘revolucionário’ que galvanizou muitos cubanos e, em todo o Mundo, influenciou a juventude ‘progressista’ da metade do século XX.

Fidel cometeu erros e, hoje mesmo, a Direita sem escrúpulos, sem ter a noção de luto e desprovida de qualquer sensibilidade para uma análise histórica positiva vai vir a terreiro denegri-lo. O gesto fica com quem o promove.

É pessoal, afetivo e convicto mas, neste momento, muito triste para esmagadora maioria do povo cubano, não tenho qualquer rebuço, nem pudor, em confessar que esse Homem (e outros dos seus companheiros como, p. exº., Che Guevara) foi um dos meus heróis de juventude.

Hasta siempre!

Apostila: Hoje, esta triste efeméride faz–me recordar um escrito de Bob Dylan (agora tão celebrizado pela atribuição do Nobel da Literatura):
“ Eu acho que um herói é alguém que entende o grau de responsabilidade que vem com a sua liberdade”.

A frase

«Os portugueses são muito sabedores, já perceberam que [a Caixa Geral de Depósitos] é uma instituição fundamental para a economia do país e uma instituição forte que pode ficar mais forte, o que importa não são os pequenos pormenores do dia-a-dia, o que importa é a linha do futuro.»

(Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República)