segunda-feira, maio 29, 2017

Trump: peregrinação ou religiões, alianças e negócios.

A primeira viagem ao exterior do Presidente Trump foi um périplo deveras curioso. Primeiro, a ronda religiosa.
 
Contemplou as 3 religiões do livro. Esteve no reino que abriga e administra Meca, deslocou-se ao muro das lamentações (Jerusalém) e, por último, visitou, no Vaticano, o Papa.

À margem desta multifacetada ‘peregrinação’ foi fazendo contactos e selando alguns negócios.
Na Arábia vendeu equipamento militar e quis, deste modo, garantir a supremacia do reino saudita no contexto regional.
Em Israel foi reafirmar linhas políticas que visaram fortalecer a vontade dos ultras para abocanharem os iranianos.  Mais uma vez um problema relativo à hegemonia regional.
No Vaticano foi mostrar a mantilha (tridentina?) de Melania, já que os negócios são assuntos mundanos a tratar no silêncio das catacumbas e na escuridão dos templos.

Despachado o roteiro religioso com uma patética e deslocada pregação contra o ‘extremismo’ (deixou cair o termo ‘terrorismo’ por solicitação saudita) no meio de um ajuntamento de confrades e muftis sunitas , em Riad, senhorial redil do wahabismo ( uma versão explícita de extremismo religioso), passou pela sede da NATO em Bruxelas onde regateou qual o preço a pagar pelos ‘associados’ para pertencerem à organização político-militar em permanente expansão (de acordo com os interesses norte-americanos no Mundo).

Muita gente ficou espantada quando na campanha eleitoral Trump anunciou a construção de um muro na fronteira com o México e que os mexicanos seriam obrigados a pagá-lo. Agora, chega à NATO e pretende ‘alugar’ a capacidade de resposta militar por ‘preços de mercado’ disfrutando de uma posição dominante, quase monopolista.
Mais, ameaçou obrigar a pagamentos retroativos. A UE após o sucedido tem equacionar qual o preço a pagar e se não há alternativa, isto é, se não é mais adequado construir uma defesa comum europeia, à margem dos EUA, i. e, da Nato como existe.
Na realidade, a evolução desta parceria que começou como atlântica e já se transformou numa guarda pretoriana yankee de intervenção global poderá ter custos políticos e financeiros – para os europeus - incomportáveis.

Finalmente, viajou até à Itália (Sicília)) e de passagem pelo G7 aproveitou para titubear sobre globalização (com a cabeça nas medidas protecionistas que quer aplicar) e na peugada decidiu ‘empatar’ os acordos de Paris sobre meio ambiente recentemente sobrescritos pelos EUA. O slogan ‘América, primeiro’ começa a fazer as suas vítimas.
Na verdade, a posição ‘industrialista’ dos políticos republicanos norte-americanos (ver posições dos presidentes Bush) é avessa a compromissos sobre o clima e o ambiente. Aqui, também, existe uma primazia de raiz ultraliberal: o crescimento industrial desregulado, i. e., sem leis, nem regras.

Falta, agora, aguardar que a imprensa mundial registe o sucesso desta viagem de Trump em direção a uma Europa que quer fragmentar para economicamente sufocar. Entretanto, no que diz respeito ao Médio Oriente a sua viagem a Riad e a Jerusalém, deverá ter resultados imediatos.
A saber: o agravamento súbito da crise política e militar em todo o Levante e o enfraquecimento da luta antiterrorista.

A digressão de Donald Trump pelas Arábias, Médio Oriente e Europa faz lembrar um feirante a vender 'banha da cobra', made in States...

Eleições autárquicas

De joelhos em Fátima e de rastos em Lisboa.

Eleições autárquicas

No princípio era o verbo

Cimeira do G7 – 2017

A falta de compromisso de Trump com o Acordo de Paris, para a redução de emissões de dióxido de carbono, foi o pequeno passo para agradar aos poluidores que o elegeram e uma enorme deceção para quem se preocupa com o futuro da Humanidade.

No país dos melhores cientistas e dos piores trogloditas, foram os últimos que elegeram o presidente de todos, como se a arte da política fosse a competência de um empreiteiro. Trump não é um estadista, é o homem de negócios que exonerou a ética do quotidiano e a solidariedade das suas preocupações.

Rejubilam os poluidores, que ganharam o direito a deixar sem futuro os netos; exulta o complexo industrial e militar, que escoa mais depressa as armas obsoletas; excita-se o Tea-Party, que assalta o aparelho de Estado e obtém a maioria dos juízes do Supremo; enfim, é a euforia entre os fundamentalistas do protestantismo evangélico, os partidários da pena de morte e os belicistas do Pentágono, quer creiam ou não que o mundo foi uma criação divina de uma semana infeliz e o homem um produto de Jeová para matar o ócio numa olaria imunda.

Pode faltar oxigénio, água, ozono, alimentos e meios de subsistência à próxima geração, mas não abrandará a acumulação de capital em cada vez menor número de pessoas, nem a aceleração frenética do Apocalipse.

Não há impérios perpétuos, mas algum será o último e, provavelmente, o que sucumbirá com resto do mundo.

Na reunião do G7 Trump forçou os parceiros a sublinhar que os países têm direito a fechar as suas fronteiras, mas não há muros que contenham o desespero e a torrente de deserdados para quem a vida, deles e dos outros, deixará de ter valor e de fazer sentido.

domingo, maio 28, 2017

Eleições autárquicas - Torres Vedras

Esqueceu-se do IRS

Portugal está na moda


Eleições autárquicas

Curiosidades cívicas

Eleições autárquicas

Mensagem clara e apelativa

sábado, maio 27, 2017

Casamento árabe

Sob o olhar compreensivo de Alá e a benevolente misericórdia do Profeta.

Deambulações à volta de Sánchez, do socialismo e social-democracia …


O regresso de Pedro Sánchez à liderança do PSOE link não pode ser considerado como sendo mais um acidente de percurso da Esquerda socialista europeia.
O facto de os partidos socialistas e sociais-democratas europeus terem sofrido, nos últimos tempos, severos revezes eleitorais, em diversos Países e em diferentes geografias, acarretará necessariamente consequências.
 
Para os mais cépticos nas convicções de Esquerda trata-se de uma irremediável ‘pasokização’ dos partidos socialistas vitimizados pelo colaboracionismo e convivência com os ideais neoliberais. Existem hoje conceitos que carecem de melhor explicitação.
Por exemplo, a tão divulgada ‘economia social de mercado’ encerra, à primeira vista, uma contradição primária entre o social e o mercado. Na verdade, não existe dirigente europeu (da Direita à Esquerda ‘clássicas’) que não recorra a este jargão para balizar os seus programas (eleitorais e de Governo) e definir o modelo de desenvolvimento.
 
Muitos partidos socialistas incorporaram esse conceito, a começar pelo SPD alemão e, hoje, estão a pagar uma elevada factura. Na verdade, a ‘economia social de mercado’, é um conceito de matriz germânica que, depois de hesitações iniciais, foi insistentemente usado pelo chanceler Ehrard, para desenvolver e ‘justificar’ o chamado ‘milagre alemão’. Ludwig Ehrard apoiava-se nas suas raízes cristãs-democratas e introduz o qualificativo ‘social’ para amaciar a dureza da economia de mercado (tout court). Fez escola dentro da Direita de brandos costumes,  falinhas mansas e caritativa ‘compaixão social’ que emerge depois da II Guerra Mundial se confunde com os todo poderosos mercados despidos de qualquer laivo social. Todavia, essa 'nuance político-social’ abriu caminho a um período áureo da social-democracia (nomeadamente a nórdica).
 
De facto, na Alemanha, na Grã- Bretanha, em França e em Espanha (para nos circunscrevermos a grandes economias europeias), o trambolhão Schrōder, a terceira via blairista, a dupla Hollande-Valls e a parelha Gonzalez/Diaz, cederam lugar a outra abordagem política mais consentânea com a doutrina original (socialista), isto é, existe uma certa movimentação no sentido do regresso às origens, o que motivou – da parte das forças conservadoras e dos média - a imediata classificação como sendo um ‘radicalismo’.
A situação do SPD alemão, sob a batuta de Martin Schulz, permanecerá indefinida até ao próximo Outono.
 
A Esquerda socialista, numa fase inicial, ainda resistiu a esta transformação entre uma economia social onde se colocam as questões de propriedade dos meios de produção e a planificação e a economia social de mercado em franco deslizamento para um liberalismo selvagem. A queda do muro de Berlim e a implosão dos regimes comunistas do Leste europeu, acabaram por derrubar essas resistências. Para os muitos que previam a fim dos partidos comunistas na Europa restam poucos daqueles que associaram a esta implosão o fim dos partidos socialistas e social-democratas.
 
Neste momento, estamos numa situação com preocupantes semelhanças ao início do século XX quando a cisão no movimento socialista traduziu a capitulação da social-democracia frente ao capitalismo e conduziu a uma guerra mundial. Na altura digladiavam-se as correntes revolucionárias e reformistas onde sobressaiam Jaurès (França), Rosa Luxemburgo (Alemanha), Adler (Áustria), Hardie (Grã-Bretanha), entre noutros. Hoje, parece que estamos a percorrer os mesmos itinerários com outras personagens (de muito menor qualidade).
 
Hoje, a Esquerda que emerge eleitoralmente derrotada, por todo o lado, mais parece empenhada em ‘salvar o capitalismo’ do que em afirmar-se como uma alternativa. Não fará caminho nesta senda. Os cidadãos preferirão sempre o original à cópia.
 
O que ressalta destes conturbados tempos para as diferentes Esquerdas é o grande embuste que representa a anunciada e apressadamente decretada ‘morte do marxismo’. Na verdade, os salvados dos partidos socialistas e social-democratas, em franca decomposição após a queda do muro de Berlim, empurrarão as novas (futuras) lideranças para um pródigo regresso às ideias (à ideologia) fundadoras.
Não vai ser fácil essa retificação já que pressupõe uma travessia do deserto que se adivinha relativamente longa. Mas esta mudança passa pela capacidade de assumir, sem pruridos, nem tabus, a filosofia marxista que considera os mercados (que escapam a qualquer tipo de regulação) como uma fonte de exploração e especulação e um antro gerador de desigualdades. Na verdade, o método de análise marxista renasce nos dias que correm como um instrumento indispensável para compreender como e porquê chegamos aqui.
 
Esperemos que os dirigentes dos partidos socialistas, operários, trabalhistas e sociais-democratas se demarquem do colete-de-forças tecido pela direita neoliberal. As novas gerações enfrentarão outros desafios mas a análise política vai ser sempre indispensável.
 
Pedro Sánchez com toda a probabilidade não tem estofo nem envergadura política para ser o mentor de um ‘renascimento socialista’. Mas, na realidade, conseguiu travar a ‘onda social-liberalizante’ que tentou apossar-se do PSOE e que contra a corrente aceitou conviver pacificamente com a Direita ultraconservadora representada por Mariano Rajoy.
A recondução na liderança é um importante (re)começo para alguém que já foi capaz de dizer NO (!), à Direita.

A defesa da laicidade é uma obrigação cívica

Não escrevo para que os leitores elogiem, mas para que leiam e pensem. Não é popular ser ateu, republicano e social-democrata. E sou. Defendo e promovo o republicanismo e a social-democracia, esta última sem confusões com a deriva neoliberal dos partidos que dela se reclamam e a traem.

Só não promovo o ateísmo. É uma opção filosófica individual como o deveriam ser as religiões. Defendo, sim, a laicidade, e denuncio todos os ataques de que é vítima, sejam lambidelas presidenciais de anelões episcopais, cedências da República a atos pios ou a conivência estatal com o mais venerado embuste português do século XX – Fátima.


Tenho como aliadas a Constituição da República e a própria Lei da Liberdade Religiosa, e como adversários os autarcas que patrocinam excursões pias, os governos que deixam as Forças Armadas, bem ataviadas e luzidias, carregar andores e engrossar procissões, e todos os que usam as funções públicas para promover a fé individual.


A escola pública, onde tantas vezes as suas direções estão mais interessadas na salvação da alma do que no respeito pela neutralidade ideológica do ensino, é o lugar de eleição para a cidadania e não para o proselitismo. Hoje é a imagem pia que entra à sorrelfa pela porta das traseiras para a peanha de uma discreta sala, depois o regresso à separação dos sexos e à humilhação feminina e, finalmente, cinco pausas diárias para orações.


Os hospitais públicos enchem-se de crucifixos e senhoras de Fátima, com diretores que convidam os bispos para a cerimónia de posse. Amanhã terão um sheik a pôr em xeque a laicidade do hospital e a exigir que a sua mulher seja atendida apenas por uma médica. Antes, ainda encomendarão missas de ação de graças pelo cargo que lhes confiaram, o que, devido à leveza ética e indignidade cívica dos protagonistas, se justifica.


A subserviência à religião dita maioritária é a porta de entrada para a chantagem que as minoritárias, mais agressivas, não deixarão de fazer.


Cada vez que a mulher de um Presidente da República cobre a cabeça perante o Papa ou um aiatola, tapa o vácuo que a habita e insulta a luta das mulheres ao longo da História, eternas vítimas da misoginia e do tribalismo patriarcal que as condenou ao sofrimento e à subalternidade. O véu na cabeça oca do adereço de um PR é um retrocesso indecoroso ao tempo em que às mulheres eram vedados todos os direitos. E é também um sinal de aceitação de que o cargo é um direito do macho.


A iníqua discriminação da mulher por qualquer ideologia política, religiosa ou filosófica não pode ser uma questão cultural, deve ser um caso de polícia. 


Malditas tradições!

sexta-feira, maio 26, 2017

A intolerância hindu

Ontem, 24 de maio de 2017, um dia depois do trágico atentado de Manchester, surgiu a notícia da vandalização, no último domingo, da “Capela de Nossa Senhora de Fátima”, na localidade indiana de Godamakunta.

Fanáticos hindus atacaram o edifício, inaugurado a 13 de maio, e destruíram as imagens de Jesus, da Senhora de Fátima e restante iconografia católica. A demência pia contagia todas as religiões, ainda que o hinduísmo não seja propriamente um teísmo, com as suas 330 mil divindades diferentes cultuadas, e sendo raro o culto da trindade Brama, Shiva e Vixnu.

Desta crença, onde a permanência das castas e a desonra das viúvas que voltam a casar, (deviam acompanhar o marido na pira funerária), são os aspetos mais repulsivos, temos a ideia de que o pacifismo é a sua matriz imperecível.
Uma crença com mil milhões de seguidores apresenta fatalmente nuances pioradas pelo nacionalismo hindu. Não esqueçamos que é a terceira ‘religião’ do Planeta, rivalizando com o número de não crentes, depois do cristianismo e do islamismo.

A mais antiga tradição viva, onde não há formalidades litúrgicas nem congregações de crentes, é vulnerável ao nacionalismo.

Nas últimas eleições regionais, em março, depois da vitória dos nacionalistas hindus, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, figura pouco recomendável, decidiu nomear governador do estado de Uttar Pradesh (200 milhões de habitantes), Yogi Adityanath, execrável sacerdote comunitarista hindu militante, reacionário, que incita ao conflito e à violência contra os muçulmanos (20% da população) e defende a Índia exclusivamente hindu.

No berço da ‘dinastia’ Gandhi, onde nasceu o pacifista Mahatma Gandhi, emerge agora, pela via democrática, um déspota desejado, com delírios de grandeza, a atiçar medos e a instigar a violência, acirrando ódios, e capaz de edificar um templo hindu no local onde os extremistas arrasaram uma mesquita em 1992.

A maior democracia do mundo está ameaçada através do voto, paradoxo que começa a repetir-se das Filipinas à Índia, da Europa ao Médio Oriente, num mundo que a religião corrompe e o populismo insano aproveita.

Escaqueirar a imagem da Senhora de Fátima é uma ínfima metáfora do ódio sectário de que as religiões são capazes.

quinta-feira, maio 25, 2017

Blasfémia e liberdade de expressão



A blasfémia, definida como insulto a Deus, é um ‘crime’ sem vítimas, mas um conceito perigoso para a liberdade de expressão.

A defesa da ofensa faz-se apenas nos Tribunais, de acordo com o Código Penal (CP), e é duvidoso que Deus se constitua como queixoso ou os crentes apresentem procuração para o representar.

No entanto, o anacrónico “crime” medieval, que conduzia às fogueiras, ainda subsiste, no CP de 8 países europeus, laicos e civilizados (Dinamarca, Áustria, Finlândia, Grécia, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal) e, disfarçado de “ofensa aos crentes”, desde 1972, em ‘França’, onde foi abolido em 1791. Até no Reino Unido, que o suprimiu em 2002, já apareceu o deputado Jeremy Corbyn a evocar a possibilidade de o reintegrar.

A blasfémia é uma arma política para erradicar religiões minoritárias e um instrumento para condicionar a liberdade de expressão. O Islão serve-se da alegada ofensa para ver nela a apostasia (direto inalienável em países democráticos), para a condenação à morte.

É curioso haver um ‘crime’ que não causa dano, e que muda de trincheira consoante a religião dominante. Chamar amoral a Maomé, quando a religião ainda permite práticas pedófilas, sob o disfarce de casamento, é motivo para condenação à morte.

Criminalizar a blasfémia é confundir o bom ou mau gosto com um delito, e mantê-lo no Código Penal é um anacronismo de legisladores que preferem o comunitarismo à defesa dos valores individuais e sujeitar as sociedades ao risco da ‘verdade divina’.

A jurisprudência lusa privilegia a liberdade de expressão em detrimento do anacronismo legal, mas o mimetismo islâmico aconselha a abolição da reminiscência medieval.

As sociedades democráticas não acolhem bagatelas penais, aliás, injustas, mas a doença endémica das religiões – o fundamentalismo – pode irromper, sendo urgente eliminar a blasfémia do Código Penal e deixá-la no catálogo dos pecados com jurisdição exclusiva do Tribunal divino.

Nada impedirá a forma popular com que os espanhóis se dirigem à hóstia ou nomeiam a Virgem e, ainda menos, as blasfémias italianas, em particular as calabresas, que juntam a bela sonoridade da língua italiana para se dirigirem ao seu Deus.

É inconcebível que sendo a liberdade religiosa legitimada pela liberdade de expressão, possa aquela deslegitimar a fonte da sua própria legitimidade.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, maio 24, 2017

A direita desnorteada

Esta direita que não consegue desfazer-se da tralha cavaquista, a direita que sofre da síndrome ‘pied noir’ e chora o “nosso Ultramar, infelizmente perdido”, prejudicou o País na sua governação, na intriga internacional e na publicidade contra o atual governo.

É impossível esquecer prognósticos horrendos baseados no apoio do BE, PCP e PEV ao governo PS, o patético estertor da presidência de Cavaco Silva, desesperado para manter um governo que a AR reprovava, os medos lançados sobre a economia e a desconfiança dos países da União Europeia, cuja ingerência incitava através do PPE.

Esta direita, herdeira do salazarismo e não de Sá Carneiro, nunca se adaptou ao respeito pelo voto popular, aos partidos segundo a sua representação parlamentar, à alternância democrática e, sobretudo, à alternativa política.

Para Passos Coelho e Assunção Cristas, para não falar do velho e rabugento salazarista, Cavaco Silva, só os partidos que eles admitissem como democratas teriam legitimidade para serem governo. Tiques salazaristas de quem não frequentou a escola democrática.

A saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, vaticinada como impossível por um governo que se limitava – segundo diziam –, a reverter as suas políticas, foi uma deceção agravada pela sensibilidade social, diálogo à esquerda e dimensão do êxito.

Mas se a incompetência foi a imagem de marca do último governo da direita, a falta de pudor com que reivindica louros de uma política de sinal contrário, revela a insolência de quem quer partilhar o êxito da política que combateu com violência e ressentimento.

Não faltam avençados a exigir que o Governo de António Costa elogie o seu antecessor que utilizou a crise das dívidas soberanas para demonizar a esquerda, sem compreender que deveu o poder à recessão mundial conjugada com o chumbo do PEC-IV.

Claro que há para aí quem, em dívida pelos favores recebidos, continue a gritar méritos que ninguém viu e virtudes desta direita truculenta e caceteira que ora acusa o PS de ser um satélite dos partidos à sua esquerda, ora acusa esses partidos de submissão ao PS, na persistência da intriga e do ressentimento.

terça-feira, maio 23, 2017

O atentado de Manchester

Não podemos deixar-nos matar por quem prefere a loucura do seu Deus à sensatez dos homens. O islamismo não é apenas uma religião, é uma ideologia fascista alimentada pelos negócios do armamento e do petróleo, exacerbada no ocaso da civilização árabe.

As ruas das capitais europeias fecham-se ao trânsito até que mais uma das cinco orações diárias seja rezada. Nas mesquitas e madraças, os clérigos incitam ao ódio contra infiéis, e exigem, em nome da liberdade religiosa, o direito ao proselitismo. Quando matam em nome de um deus que não gosta de música, de carne de porco, de álcool ou da igualdade de género, dizem que são extremistas que não alcançam a mensagem de paz do Profeta.

E nunca dizem se o verdadeiro islão é o da Arábia Saudita onde se decapitam pessoas e se amputam mãos, o da Malásia onde se vai ao ponto de proibir o batom, o do Irão onde a forca é o divertimento pio dos aiatolas, o dos países onde se jura fidelidade ao ISIS, se pratica a escravatura, se faz a excisão do clitóris, e onde a mulher tem sempre um papel subalterno.

Certo, certo, é não haver um único país sob a lei islâmica que respeite a democracia, a justiça, a igualdade homem-mulher, a liberdade e os direitos humanos.

Ontem, em Manchester, foi de novo provocada a civilização pelos dementes do Profeta, numa orgia de terror e sangue. Tal como sob o estado nazi, de Hitler, ou sob o fascismo, de Mussolini, não há, na Europa, forças suficientes para combater o totalitarismo.

Sem coragem para exigir respeito pelo etos civilizacional que é a matriz da democracia, arriscamo-nos a regressar às guerras religiosas que, no passado, dilaceraram a Europa.

Basta!

segunda-feira, maio 22, 2017

Charles Darwin sempre teve razão

ILUSTRAÇÃO ALEX GOZBLAU